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Qual seria o interesse dos ambientalistas?

27/04/2010

O Deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), relator da comissão que discute a flexibilização do Código Florestal, afirma que está intermediando um coflito de interesses.

O Código Florestal é uma das lei mais antigas do país e tem por objetivo proteger as florestas e outros recursos naturais importantes. É nele que encontramos as definições das Áreas de Preservação Permanente – “APP´s”, aquelas que, por causa de sua função no meio ambiente, devem permanecer intocadas pela ação humana. Por exemplo, as margens de rios, entornos de nascentes e topos de morro, entre outras.

Claro que o sistema capitalista, como a gente costuma dizer, tem que se expandir cada vez mais, para continuar a existir. Assim, cedo ou tarde, chegaria a hora de avançar sobre as APP’s, depois de devastar outras áreas não tão vitais.

Esse momento é agora. Quem quer implementar mudanças no Código Florestal são os capitalistas, através do lobby de suas empresas e de seus lacaios no governo.

Se, de um lado, está o sistema, sequioso para explorar economicamente as APP’s, do outro estão os ambientalistas, querendo que o Código Florestal fique exatamente do jeito que está.

Entrevista

O Deputado Aldo Rebelo, então, disse que há “muitos interesses em conflito”.

Na verdade, como vimos, só há dois interesses. Um, do sistema e seus agentes e outro, daqueles que querem proteger a natureza.

Aí fica a pergunta. Qual é o interesse em proteger a natureza?

A resposta pode parecer óbvia para quem tem bom senso e deseja sinceramente que os recursos naturais do planeta permaneçam acessíveis a todos, inclusive a quem não nasceu ainda.

Mas, pela lógica capitalista, quando se fala interesse, não há outro senão o econômico.

Latuff

Latuff

Maldição

Não há assim nenhum conflito de interesses, já que os ambientalistas não querem disputar uma fatia da natureza com os capitalistas, pois não a veem como mercadoria nem como uma coisa a ser explorada.

E isso nos leva a uma espécie de maldição que pesa sobre todos os ambientalistas no mundo todo, entre os quais nos incluímos. No final, não queremos salvar o planeta só para nós, mas para todos, até para o Aldo Rebelo. 

Saiba mais sobre a polêmica do Código Florestal

Leia aqui a entrevista do deputado e aqui a história como ela é.

Aproveita e dá uma força na campanha contra a flexibilização do Código Florestal.

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Gripe suína foi causada por porcos capitalistas

11/05/2009

Busca de maiores taxas de lucro, legislação ambiental branda e fiscalização negligente estão na origem da pandemia da nova gripe.

Parece exagero a gente ficar batendo sempre na mesma tecla, dizendo que o capitalismo e sua necessidade intrínseca de se expandir continuamente é o único culpado pela destruição dos recursos naturais e, consequentemente, da vida das pessoas.

Mas, infelizmente,  um caso como esse, da “gripe suína”, só mostra mais as garras da crueldade do sistema.

Por que no México?

Todo mundo sabe que a gripe teve origem no México, mas ninguém se deu ao trabalho de perguntar – e a mídia ocultou – por que motivos a hoje pandemia começou naquele país.

A história, na verdade, tem início nos Estados Unidos.

É de lá que veio a empresa denominada “Smithfield Foods”, uma indústria de alimentos, que produz, embala e comercializa principalmente carne e derivados de porcos e até javalis.

A companhia encabeça uma lista das quatro maiores do ramo, que detém 66% do mercado norte-americano. Tem várias fazendas em diferentes partes dos EUA, cada qual com milhares de animais.

Cada porco produz três vez mais excrementos que um humano, o que acaba criando sérios problemas ambientais. Uma de suas fazendas, no estado de Utah, com 500.000 porcos, acabou gerando oito vezes mais dejetos que Salt Lake City, a maior cidade da região. Todo esse dejeto era despejado em gigantescas “lagoas” a céu aberto, contaminando água, ar e solo.

Na Carolina do Norte, houve contaminação de rios e riachos, por causa do lançamento de toneladas de dejetos nessas “lagoas”.

A mesma coisa aconteceu em outros pontos do país e, além da contaminação ambiental, a empresa também passou a ser acusada de desrespeito à legislação trabalhista.

Mas, respeitar os direitos dos trabalhadores e as leis ambientais implicam em elevar os custos de produção e, consequentemente, reduzir a taxa de lucro. Como isso não poderia acontecer, a industria migrou para países com legislação mais frouxa e mão-de-obra mais barata.

Começou pela Polônia, em 1999, depois Romênia, até chegar ao México, aproveitando os termos do Tratado de Livre Comércio da América do Norte – “Nafta”, na sigla em inglês para “North America Free Trade Agreement”.

Fazenda na Polônia - Foto: Pravda.ru

Fazenda na Polônia - Foto: Pravda.ru

Consequências previsíveis

Apesar dos inúmeros processos judiciais que sofreu em seu país de origem, a empresa operava livremente nesses outros, sem os entraves da leis ambientais e trabalhistas e com a conivência de seus respectivos governos.

Com isso, foram despejados em seus territórios toneladas e toneladas de excrementos de porcos, sem nenhum tipo de precaução ambiental e explorando os trabalhadores locais, com baixos salários, condições insalubres e poucos direitos.

Denúncias da população mexicana

No México, foi criada uma subsidiária chamada “Granjas Carroll”, com sede no estado de Vera Cruz, em uma pequena cidade chamada Perote, onde vive uma comunidade obviamente pobre.

Eli Ferrer Cortés, um habitante local procurou o jornal “La Marcha”, de alcance regional, e fez a seguinte denúncia: “Os dejetos fecais e orgânicos produzidos pela Granja Carroll não são tratados adequadamente e estão contaminando a água e o ar”.

A partir dessa denúncia, outros moradores criaram coragem e procuraram as autoridades de saúde mexicanas, as quais, já no início de abril de 2009, declararam que “investigações preliminares indicavam que o vetor da doença era uma espécie de mosca que se reproduz em excrementos de porcos e que a epidemia estava relacionada às fazendas”.

A história foi abafada pela grande mídia até o final de abril, quando a doença já havia infectado mais de 1.000 pessoas no México e Estados Unidos e matado 68.

Biogestores e porcos mortos nas "Granjas Carroll", México - Foto: The Ethicurean

Biogestores e porcos mortos nas "Granjas Carroll", México - Foto: The Ethicurean

E o resto todo mundo sabe. Hoje, a gripe causada pela picada de uma mosca que carregava um vírus alojado na bosta do porco virou pandemia, ou seja, uma epidemia que está se alastrando rapidamente pelo mundo todo, já que o vírus, entre humanos, é transmitido pelo ar.

E tudo isso porque uma empresa preferiu não aumentar os custos de produção, mantendo a taxa de lucro, em lugar de se preocupar com o meio ambiente, a saúde e a vida das pessoas.

A história se repete

Esse tipo de coisa acontece o tempo todo e em todos os lugares.  A necessidade de expansão capitalista, sua superprodução descontrolada e a incessante busca por maiores taxas de lucro não encontram limites na ética, no bom senso e nem na vida dos outros.

Porém, o caso da “gripe suína” só está tendo toda essa repercussão na mídia, porque não está mais só afetando pobre.

Enquanto a degradação, as doenças e as mortes se restringem a comunidades longínquas e desconhecidas, tudo bem. O crescimento econômico de alguns é mais importante. E, de quebra, ainda se pode fazer uma limpeza étnica.

Exagero nosso?

Fontes:

Health Freedom Alliance

Food and Water Watch

Indymedia (CMI) Arizona