Archive for the ‘Geral’ Category

Poluição e Saúde II

24/09/2011

Entidades organizam nova atividade com a população, para discutir o tema e encaminhar ações.

Devido ao sucesso da palestra do Dr. Paulo Saldiva (médico, professor titular do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP e referência mundial nos estudos dos efeitos da poluição atmosférica na saúde), o Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos, a Saviver – Sociedade Amigos da Vista Verde e a Ação Eco Socialista decidiram exibir o vídeo da palestra, na íntegra, para quem perdeu.

Depois da exibição, haverá um debate sobre as ações que a população deverá tomar, para melhoria das condições locais de saúde, especialmente nos bairos da zona leste de São José dos Campos.

Não perca!

Data e Local

ATENÇÃO: O EVENTO FOI SUSPENSO AGUARDEM NOVA DATA – SINDIPETRO Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos – Rua das Azaléas, 57- Jardim Motorama – São José dos Campos – SP

Saviver consegue importante vitória

Em audiencia no último dia 14/09, no Ministério Público, a promotora de Justiça Dra.Renata Bertoni Vita, com presença dos representantes da REVAP, após acatar representação feita pela SAVIVER (Sociedade Amigos da Vista Verde) em Maio/2011, determinou um Termo de Ajustamento de Conduta para a realização das medidas necessárias à solução da emissão do mau cheiro, a partir daquela data, estabelecendo um prazo de 45 dias para apresentação de um projeto com cronograma respectivo

Na defesa que a REVAP havia apresentado no processo, segundo relato da promotora, a empresa se colocou como sendo “provavel” a solução do problema. E os moradores que sofrem há anos não aceitam a condição de “provável” solução, mas sim de medidas concretas,objetivas e que eliminem de vez o mau cheiro .

Outro ponto que pesou bastante na decisão de exigir medidas mais competentes da REVAP, foi o fato de que a CETESB, avocada também neste processo, informou ao Ministério Público que “nestes ultimos 10 meses, a REVAP vem apresentando condição crônica de incômodos ao bem estar público aos moradores locais, principalmente dos bairros Vista Verde e Jardim Diamante, por conta de irregularidades operacionais de algumas de suas unidades.”

Vale ressaltar que, nestes ultimos 10 meses, a REVAP foi autuada 9 vezes pela CETESB, entre Multas e Advertencias. É praticamente um recorde, este ano, em relação a todas as outras refinarias da Petrobrás. A SAVIVER não luta por mais multas mas sim pela solução total do problema.

E com isto tudo se avançou mais uma etapa junto ao Ministério Público e continuamos a acreditar nas autoridades da Justiça porque elas por certo serão decisivas para  resolver em definitivo esta vergonhosa situação que sofrem todos os moradores dos bairros do entorno da Refinaria. Esta será uma grande vitória para o Meio Ambiente, para a SAVIVER e sobretudo para a saúde de todos os moradores do entorno. Na realidade, tudo isto visa a melhoria de qualidade do ar que respiramos, um direito mínimo para nossas vidas.

Fonte: Saviver

Carta aberta dos petroleiros à população: Os indicadores de saúde pública e a indústria do petróleo

As condições de saúde dos moradores da zona leste de São José dos Campos são afetadas pelas atividades da Revap (Refinaria Henrique Lage). A incidência de câncer é maior nas áreas de produção de derivados de petróleo e onde tem maior concentração de transito. A informação é do especialista em saúde pública, Dr. Paulo Saldiva, do Hospital das Clínicas de São Paulo, que realizou palestra no Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos em agosto.

A empresa deve tratar bem seus empregados e os moradores do em torno.  

Segundo Dr. Paulo, “os indicadores de saúde atuais no Brasil melhoraram, mas o desenvolvimento tecnológico não trouxe melhorias no controle da poluição. Hoje, quatro mil pessoas morrem por causa da poluição em São Paulo por ano. Isso é mais do que mata a AIDS”.

Ele afirmou que os riscos de se viver em cidades, principalmente as grandes cidades, está ligado à poluição do ar, áreas de calor, risco de deslizamento, tráfego altamente poluente. Parte dos problemas ambientais das grandes cidades passa pela indústria do petróleo.

Nós denunciamos em várias ocasiões e continuamos denunciando a política da Petrobras que privilegia o lucro em função dos riscos. Essa política reduz o número de empregados nas refinarias e impõe uma série de fatores, como: maior risco operacional, falta de controle da emissão de poluentes, manutenção reduzida e terceirizada, pressão e falta de melhores condições de trabalho provocando stress . Cada risco deste pode aumentar os danos para os trabalhadores da refinaria e para a população do entorno.

Danos existem e não há como negar. “A energia engarrafada (oriunda do petróleo) provoca danos até que ponto no entorno? As crianças vão ter prejuízo no desenvolvimento pulmonar, pode haver incidência de câncer pouco maior, grávidas podem perder o bebê”, diz o Dr. Saldiva.

Por isso, toda a discussão que fazemos sobre as atividades da Petrobras ainda é pouco para garantir a saúde de quem gera a riqueza da empresa e de quem vive, principalmente, na zona leste.

Nós temos que juntar forças, trabalhadores e moradores, para exigir da empresa maior controle na produção e contratação de mais funcionários para operar com segurança a refinaria e diminuir a margem de risco das atividades da empresa. A saúde de todos nós está em jogo e, por isso, está é uma luta conjunta!

Fonte: Sindipetro

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Palestra: “Poluição e Saúde”

13/08/2011

Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos e Ação Eco Socialista convidam para palestra com especialista no assunto, o Professor Paulo Saldiva, da FMUSP. Imperdível!

Cerca de 4.000 pessoas morrem por ano na cidade de São Paulo em consequência de problemas causados pela poluição do ar. Nós, que moramos em São José dos Campos, também estamos sujeitos aos mesmos efeitos, principalmente aqueles que trabalham e vivem mais próximos dessas fontes poluidoras. As empresas e os governos tentam esconder essa realidade da população, não informando e amenizando a gravidade da situação.

Temos que lutar pela melhoria das condições de trabalho, saúde e vida em nossa cidade e, antes de tudo, é fundamental que tenhamos pleno conhecimento dos riscos que corremos ao trabalhar e viver dentro ou no entorno das maiores fontes poluidoras.

Para isso, convidamos um dos maiores especialistas na área, o Dr. PAULO SALDIVA, médico patologista e professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, para nos colocar a par da realidade e apontar alguns caminhos para buscarmos as melhores soluções.

Participe da palestra do Dr. SALDIVA. Venha  saber porque “a poluição mata mais do que a AIDS”.

Data e Local

19.08.2011 – 18:30 horas – SINDIPETRO Sindicato dos Petroleiros de São José dos Campos – Rua das Azaléas, 57- Jardim Motorama – São José dos Campos – SP

Apoio

Estas são as entidades que apoiam a atividade realizada pelo Sindipetro: Ação Eco Socialista – CSP Conlutas – ADMAP – Sintect-VP – SAVIVER Vista Verde – Sindicato dos Metalúrgicos de SJCampos – Oposição Alternativa  APEOESP – PSTU – PSOL.

Código Florestal Brasileiro

27/05/2011

*Dalton F. dos Santos

Quão hipócrita é o governo do Brasil (governo Dilma – PT) na discussão do Código Florestal no Congresso Nacional!

Quem mais joga árvores mortas da floresta amazônica no chão é o próprio governo federal.

Deputados e Senadores do Congresso Nacional em Brasília cumprem apenas o papel de papagaios de piratas das multinacionais dos países imperialistas.

Enquanto que a bancada ruralista – sob o comando de Ronaldo Caiado – cuida, além do assassinato de índios e de humildes trabalhadores rurais defensores da floresta amazônica, ao mesmo tempo da expulsão de posseiros das terras nativas que devem ser usadas pelo agro-negócio. O massacre de Eldorado dos Carajás é o melhor exemplo dessa aliança ruralista com as multinacionais, principalmente com a Royal Dutch Shell, e o governo federal.

A Companhia Vale do Rio Doce que foi dada pelo governo FHC ás multinacional a preço simbólico, como acontece hoje com o pós – sal e pré – sal do Brasil, junto com o governo federal é a maior das predadoras da floresta amazônica.

Monstruoso é o depósito de ferro, manganês, cobre, ouro e minérios raros da Serra dos Carajás, no Pará. E a mina de Carajás, da Companhia Vale do Rio Doce, representa apenas um ponto minúsculo da área já em exploração, localizada pontualmente na região norte da falha de Carajás.

Colossal será a depredação da floresta amazônica feita pela Companhia Vale do Rio Doce que acabou de encomendar 19 navios que podem carregar – cada um deles – até 400 mil toneladas de minérios cavados da floresta amazônica.

Na verdade, o governo federal do Brasil – hoje Dilma (PT) -, não quer acerto de contas, em benefício do povo brasileiro, com os maiores dos predadores do meio ambiente. Prefere simular todo um jogo de cena de cartas marcadas no Congresso Nacional, em Brasília, para protegê-los. Pois, são esses predadores que sustentam financeiramente sua campanha eleitoral.

Nenhum envolvimento, muito menos compromisso, o governo brasileiro demonstrar ter com a garantia da vida no planeta Terra.

Dalton F. Santos – ILAESE e diretor do Sindipetro ALSE

Piranhas, 26 de maio de 2011

A culpa é da natureza?

01/02/2011

*Angélica Felipe de Paula

O ano de 2011 iniciou com a maior catástrofe natural da história do Brasil. A região serrana do estado do Rio de Janeiro contabilizou até agora 845 mortes.

Após o desastre, o que ouvimos falar é sobre a “fúria da natureza”, porém até agora os verdadeiros responsáveis por estas mortes não foram citados.

Senti a necessidade de escrever este texto mesmo depois de passada toda a desgraça, porque todo ano é a mesma coisa.

Assistimos estas cenas de destruição e nada é feito. O mais triste e revoltante é saber que tais mortes poderiam ter sido evitadas. Por exemplo, na região serrana, mais devastada do Rio de Janeiro, predomina o clima tropical semi-úmido, com chuvas fortes no verão.

Apesar disso, os governantes destinaram menos recursos para a prevenção dos desastres, e as vítimas ficaram sem apoio mesmo após as chuvas. Vimos muitos voluntários socorrendo pessoas, como medida desesperada de conter todo o caos.

Mas não foi somente no Rio de Janeiro, o Brasil todo sofre com esse problema. São Paulo e Minas Gerais também tiveram as consequências das chuvas. Além dos desabrigados, 34 pessoas morreram.

No entanto, desde 2007 o Estado de São Paulo nada investiu em estudos para prevenção de enchentes, segundo dados da Assembléia Legislativa. O PSDB, de Serra e Alckmin, pagou 7,8 bilhões em juros aos banqueiros, isso sem falar da prefeitura de São Paulo, administrada por Gilberto Kassab, do DEM.

O problema se alastra pelo país. Em 2010 o governo do PT usou apenas 40% dos recursos para prevenção das enchentes no Brasil.

O Vale do Paraíba é reflexo de toda essa corrupção e descaso. Ano passado ocorreu uma das mais tristes cenas da “fúria das águas” que devastou a cidade de São Luis do Paraitinga, levando até mesmo construções históricas.

Este ano foi a vez de São José dos Campos chorar a morte de 5 pessoas, por causa das “economias” do prefeito empreendedor.

Houve um grave deslizamento no bairro do Rio Comprido, e destas cinco pessoas mortas, duas eram crianças. A situação do bairro é de pura miséria, e assim como no Rio de Janeiro, a Prefeitura da Cidade também sabia do risco, mas Eduardo Cury do PSDB preferiu “economizar” deixando de investir apenas R$ 124 mil, causando toda essa tragédia.

Em 2008 foi feito um estudo de risco no bairro Rio Comprido, pela própria Prefeitura. O resultado apontava a necessidade de obras de revegetação e construção de canaletas para reduzir o risco de deslizamento. O que custaria somente R$ 124 mil. Pode até parecer muito, mas o governo do PSDB destinou R$ 300 mil para o Carnaval deste ano.

O Ministério Público agora investiga o caso e deve responsabilizar a gestão atual por essas mortes e por este cenário de destruição.

Além da falta de investimentos e da falta de planejamento urbano, deputados de base ruralista insistem em transfigurar a legislação florestal prejudicando as Áreas de Preservação Permanente (APP). Essas áreas tem a função de proteger margens de rios, encostas e topos de morros, o que garante a estabilidade geológica e a proteção do solo. Se esta decisão for tomada em Brasília, algumas faixas de APP serão reduzidas até pela metade. Exemplo. A proteção de rios com larguras de até cinco metros passariam dos atuais 30 metros para 15. Topos de morro, montes, montanhas, serras e áreas de várzea também ficariam liberadas.

Portanto, episódios como estes que temos acompanhado todo início de ano, tendem a piorar se nada de concreto for feito. Depois mais uma vez teremos que ouvir que a natureza e seus fenômenos são responsáveis por esta destruição. 

O ano de 2011 iniciou com a maior catástrofe natural da história do Brasil. A região serrana do estado do Rio de Janeiro contabilizou até agora 845 mortes.

Após o desastre, o que ouvimos falar é sobre a “fúria da natureza”, porém até agora os verdadeiros responsáveis por estas mortes não foram citados.

Senti a necessidade de escrever este texto mesmo depois de passada toda a desgraça, porque todo ano é a mesma coisa.

Assistimos estas cenas de destruição e nada é feito. O mais triste e revoltante é saber que tais mortes poderiam ter sido evitadas. Por exemplo, na região serrana, mais devastada do Rio de Janeiro, predomina o clima tropical semi-úmido, com chuvas fortes no verão.

Apesar disso, os governantes destinaram menos recursos para a prevenção dos desastres, e as vítimas ficaram sem apoio mesmo após as chuvas. Vimos muitos voluntários socorrendo pessoas, como medida desesperada de conter todo o caos.

 Mas não foi somente no Rio de Janeiro, o Brasil todo sofre com esse problema. São Paulo e Minas Gerais também tiveram as consequências das chuvas. Além dos desabrigados, 34 pessoas morreram.

No entanto, desde 2007 o Estado de São Paulo nada investiu em estudos para prevenção de enchentes, segundo dados da Assembléia Legislativa. O PSDB, de Serra e Alckmin, pagou 7,8 bilhões em juros aos banqueiros, isso sem falar da prefeitura de São Paulo, administrada por Gilberto Kassab, do DEM.

O problema se alastra pelo país. Em 2010 o governo do PT usou apenas 40% dos recursos para prevenção das enchentes no Brasil.

O Vale do Paraíba é reflexo de toda essa corrupção e descaso. Ano passado ocorreu uma das mais tristes cenas da “fúria das águas” que devastou a cidade de São Luis do Paraitinga, levando até mesmo construções históricas.

Este ano foi a vez de São José dos Campos chorar a morte de 5 pessoas, por causa das “economias” do prefeito empreendedor.

Houve um grave deslizamento no bairro do Rio Comprido, e destas cinco pessoas mortas, duas eram crianças. A situação do bairro é de pura miséria, e assim como no Rio de Janeiro, a Prefeitura da Cidade também sabia do risco, mas Eduardo Cury do PSDB preferiu “economizar” deixando de investir apenas R$ 124 mil, causando toda essa tragédia.

 

Em 2008 foi feito um estudo de risco no bairro Rio Comprido, pela própria Prefeitura. O resultado apontava a necessidade de obras de revegetação e construção de canaletas para reduzir o risco de deslizamento. O que custaria somente R$ 124 mil. Pode até parecer muito, mas o governo do PSDB destinou R$ 300 mil para o Carnaval deste ano.

O Ministério Público agora investiga o caso e deve responsabilizar a gestão atual por essas mortes e por este cenário de destruição.

Além da falta de investimentos e da falta de planejamento urbano, deputados de base ruralista insistem em transfigurar a legislação florestal prejudicando as Áreas de Preservação Permanente (APP). Essas áreas tem a função de proteger margens de rios, encostas e topos de morros, o que garante a estabilidade geológica e a proteção do solo. Se esta decisão for tomada em Brasília, algumas faixas de APP serão reduzidas até pela metade. Exemplo. A proteção de rios com larguras de até cinco metros passariam dos atuais 30 metros para 15. Topos de morro, montes, montanhas, serras e áreas de várzea também ficariam liberadas.

Portanto, episódios como estes que temos acompanhado todo início de ano, tendem a piorar se nada de concreto for feito. Depois mais uma vez teremos que ouvir que a natureza e seus fenômenos são responsáveis por esta destruição.

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 Angélica Felipe de Paula é jornalista, moradora de São José dos Campos – SP e militante da Ação Eco Socialista

Uma pausa na luta

31/08/2010

Sarau em São Francisco Xavier reuniu militantes e amigos da AES, para algumas horas de merecida descontração.

Ficamos muito felizes com o Sarau Eco Socialista. O tempo estava perfeito, nem frio, nem calor e sem chuva. E o lugar, a Ilha São Francisco, é mesmo muito aconchegante e bem agradável.

Então, junte-se a tudo isso um punhado de militantes da Ação Eco Socialista e seus amigos, e temos um delicioso sábado.

Valeu muito! Gostaríamos de agradecer a todos que prestigiaram nosso encontro cultural, ao pessoal de São Francisco Xavier e em especial ao Edson, da “Ilha“, que gentilmente cedeu o espaço.

Dia Mundial do Meio Ambiente

08/06/2010

Apesar do lema em 2010, as Nações Unidas não tem feito muito pelo meio ambiente nos últimos 40 anos.

Desde 1973, celebra-se em 5 de junho o Dia Mundial do Meio Ambiente. O lema da ONU para este ano é “Muitas Espécies. Um Planeta. Um Futuro”. Em sua página, aparece um monte de gente famosa segurando garrafas recicláveis, sacolas de tecido, bicicletas e lâmpadas econômicas.

Dá uma olhada:

Essas boas intenções, contudo, não afrontam o problema de fundo da proteção da natureza, que é o modelo de produção e consumo do sistema capitalista. Isso demonstra a submissão da ONU às grandes corporações transnacionais.

Outra amostra dessa subserviência são as negociações sobre as mudanças climáticas, que, em lugar de enfrentar a raiz do problema, a queima de combustíveis fósseis, vai por as soluções nas mãos do mercado.

As Nações Unidas também deveriam se manifestar publicamente sobre o derramamento no Golfo do México, que despejou 80 milhões de litros de petróleo (cerca de 500.000 barris) naquelas águas. Esse silêncio mostra mais uma vez sua cumplicidade com os interesses empresariais, que buscam apenas satisfazer a própria voracidade por recursos naturais que sustentam a atividade industrial.

Ao invés disso, as campanhas internacionais das Nações Unidas deveriam ser direcionadas para as lutas populares em defesa do meio ambiente, como, por exemplo, pela água. Desde a Guerra da Água, na Bolívia em 1999, as lutas pela água no mundo todo tem manifestado um grande potencial político e visionário. O dia 5 de junho, portanto, deve ser um momento para ressaltar a resistência popular frente aos interesses de sua privatização e consequente violação do direito humano à água.

Onde estávamos no último dia 5 de junho

Nada contra as atividades promovidas pela passagem do Dia Mundial do Meio Ambiente. Militantes nossos estiveram em várias delas aqui e ali, porém sempre ressaltando que a conscientização e a luta ambiental não param nisso. Há muito mais a se fazer, até a destruição do capitalismo e sua superprodução predatória. 

Por isso, nosso foco principal nesse dia foi participar da construção de uma grande ferramenta contra esse sistema, junto com os diversos segmentos de luta da classe trabalhadora, em Santos-SP.

Depois de dois dias de debates intensos entre mais de 3.000 delegados de sindicatos, oposições sindicais e movimentos populares, da juventude e de opressões vindos de todos os cantos do país, além de convidados e observadores de vários países, nasceu a “Conlutas Intersindical – Central Sindical e Popular”.

Acreditamos que nossa modesta participação nesse processo fez muito mais pela natureza que qualquer passeio ecológico, visita a viveiros, exposições, ruas de lazer e oficinas recreativas.

1º de maio de 2.010

02/05/2010

Dia internacional de luta dos trabalhadores.

Movimento ecológico dos trabalhadores esteve presente no ato em São José dos Campos – SP:

Acorda peão!

17/02/2010
Militantes da AES participaram do bloco de trabalhadores no carnaval de São José dos Campos-SP.
comissão de frente...

comissão de frente...

Este foi o 12º ano que o Acorda Peão saiu às ruas no sábado de carnaval. No início, era formado quase que exclusivamente pelos trabalhadores filiados ao Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e passou a ser conhecido pelo “carnaval de protesto”.

Barack Obama tomando o petróleo do pré-sal

Barack Obama tomando o petróleo do pré-sal

Em 2.010, o bloco reuniu cerca de 300 membros, incluindo trabalhadores de outras categorias e militantes de movimentos populares, como os sem-teto da Ocupação do Pinheirinho e a gente aqui da AES.

parte do "sub-bloco" formado por militantes da AES

parte do "sub-bloco" formado por militantes da AES

Boa parte dos nossos companheiros estava lá, pelo menos os que moram na região, para algumas horas de confraternização e apoio ao samba “É crise”, do Renatão (Renato Bento Luiz).

Quarta-feira

O carnaval acabou e as lutas continuam. Aos poucos, vamos divulgar tudo o que rolou e está para rolar nos assuntos do meio ambiente.

Enquanto isso, ouça o samba aqui e acompanhe a letra:

Autor: Renato Bento Luiz

É crise
O mundo forra de dinheiro
Governo do mundo inteiro
Quer montar um hospital
E fazer cirurgia pra salvar o Capital

(Saia). Saia!
Deram o golpe no Zelaya, e o cara ficou mal
Veio a crise do apagão
E jogou o cara no chão
É “Minha Casa, Minha Vida”,
Futebol e Carnaval
Essa crise ele tempera com Pré-Sal (BIS)

(Mas que Demo?). Que Demo!
Demonizou Brasília
Passaram Arruda sem Guiné
O dólar foi pra cueca
E o real foi pro chulé

A burguesia no mundo
É incapaz
Deu para um assassino
O prêmio Nobel da Paz

No Carnaval
Eu vou chamar sua atenção e me
Divertindo com o Acorda Peão (BIS)

Tudo sobre São Luiz do Paraitinga

16/01/2010

Sugerimos acompanhar os detalhes da luta diária da população para reconstruir a cidade através do “Papo de Casarão“, que, a partir de hoje, faz parte da nossa lista de links (blogroll) , na coluna da direita, abaixo.

“Aprender a contestar os idiotas”

11/01/2010

Assim terminou a entrevista do Professor Aziz Ab’saber sobre a tragédia em São Luiz do Paraitinga. Sábio conselho!

Além de profundo respeito e admiração, temos com ele uma relação um pouco mais estreita. O Prof. Aziz foi o orientador da tese de mestrado do nosso saudoso companheiro Ricardo Ferraz, falecido em maio de 2.008, um dos co-fundadores da Ação Eco Socialista e através de quem os conhecimentos científicos de ambos foram passados aos militantes mais jovens.

Ele também  apoiou e foi pessoalmente defender o projeto de lei de iniciativa popular que impedia novos plantios de eucalipto em sua terra natal, São Luiz do Paraitinga.

Além da incontestável sabedoria, o Professor também é conhecido por suas críticas contundentes ao sistema capitalista. Tanto que, no início de 2009, esteve presente em uma palestra sobre meio ambiente para os calouros da USP, da qual tivemos o privilégio de participar.

Da esq. p/ dir: Prof. Aziz (USP), Denis (AES) e Camilo (DCE USP)

Da esq. p/ dir: Prof. Aziz (USP), Denis (AES) e Camilo (DCE USP)

Nosso representante naquela ocasião, o Denis, de São José dos Campos, disse no final que era uma honra para o nosso movimento não só participar daquela atividade, mas, principalmente, “ficar do mesmo lado da mesa que o Prof. Aziz”.

Enfim, essa introdução serve para informar que o cara sabe o que está dizendo. Não tenha dúvida a esse respeito! Sugerimos saber mais sobre o professor!

Tragédia em São Luiz do Paraitinga

Assim como em acidentes aéreos, após a enchente que praticamente destruiu a cidade, apareceram os sábios de plantão. Todos culpando uma coisa ou outra, mas sem nenhum critério ou embasamento científico.

Até que o “Estadão” teve a brilhante idéia de ir perguntar a quem entende.

A entrevista

Reproduzimos aqui e vale a pena ler. Note que, mesmo sem que a jornalista tenha tocado no assunto, ele critica a presença do eucalipto na região. E também Marina Silva e etc.:

São Luiz do Paraitinga perdeu ¼ dos imóveis tombados. Foi um dos maiores desastres culturais do País. Como o senhor reagiu a isso?

É compreensível que, tendo nascido lá, eu sinta uma tristeza imensa com essa destruição. Houve, no passado, uma tragédia semelhante. Quando eu era menino, com 4, 5 anos, meus parentes comentavam: “A cidade foi inundada até a beira do mercadão”. A casa dos meus pais ficava numa esquina em frente do mercado e o fundo dela era o rio, que volteava tudo. Mas, na época, São Luiz tinha um crescimento populacional mais razoável. Lembro que a margem de ataque do rio, à beira d’água, era uma estradinha tangenciando o morro para poder chegar ao caminho de Ubatuba. Andei muito do outro lado do rio, onde ia coletar pitangas gostosas na borda da mata. Hoje, além das pousadas, há os eucaliptais, que são uma presença extremamente perigosa no entorno de São Luiz. Os eucaliptólogos descobriram os morros da cidade, plantaram num nível de até 15, 20 quilômetros de São Luiz para oeste. Isso mudou todo o esquema.

 Como assim?

Os eucaliptos oferecem vantagens econômicas para os donos de empresas, mas, com eles, há o sugamento da água subterrânea. Na estrada de Tamoios, próximo da represa do Paraibuna, a formação de bosques de eucaliptos é ainda maior. Os eucaliptólogos se reúnem sempre lá para fazer seus projetos. Ocorre que os prefeitos são incautos. Dando um pouco mais de impostos e de dinheiro para a prefeitura, eles deixam acontecer.

Que características tem a cidade para já ter sofrido inundação no passado?

Toda aquela região da Praça da Matriz, que é a região da Rua das Tropas e a região do mercado, tudo aquilo é envolvido por um meandro. Meandro é uma volta do rio às vezes muito alongada, às vezes mais estreita. Todo meandro tem um lóbulo interno, a várzea. Do outro lado, sobretudo em áreas de morros, ficam os declives. Bom, tudo isso se modificou muito. Antigamente, o povo chamava o período de maior cheia do rio, embora não catastrófica, de tromba d’água. As duas expressões mais bonitas de São Luiz eram rio acima e rio abaixo. Vinham de rio acima grandes aguadas, mas elas raramente subiam até o lóbulo e, portanto, até a praça. Desta vez, as grandes chuvas desceram os patamares de morros e chegaram aos terraços. Houve deslizamentos de blocos de terra, árvores, pedaços de rocha. Foi uma tragédia total.

Técnicos atribuem a desgraça também ao excesso de chuvas. Está mesmo caindo mais água do céu?

Este é um período anômalo, de grandes interferências na climatologia da América do Sul, provocadas por um aquecimento relacionado ao El Niño. Primeiro foi no nordeste de Santa Catarina, depois no Rio e no Espírito Santo, depois em São Paulo, depois em Minas, depois no sul de Mato Grosso. A coisa foi se ampliando por espaços do tropical atlântico e por outras áreas do planalto brasileiro. Na época da enchente catarinense, fiz uma listagem da periodicidade climática de exemplos bastante prejudiciais para cidades e campos. Esse trabalho está publicado na revista do Instituto de Estudos Avançados de dezembro e mostra que, de 12 em 12, ou de 13 em 13, ou de 26 em 26 anos, desde 1924 até dezembro de 2008 e dependendo do lugar, houve essa periodicidade. Cheguei à conclusão de que é preciso muito cuidado nos próximos 12 anos em Blumenau e fazer obras de retenção na área de extravasamento do rio no sítio urbano. Caso contrário, quando esse ciclo atormentado da climatologia se repetir, será reanunciada a desgraça.

Mas o senhor previu que Paraitinga também poderia sucumbir?

Quando passei a visitar de novo o município para conhecer melhor minha terrinha, não senti a possibilidade de invasão de águas no lóbulo interno pegando a Praça da Matriz. Não senti. Não achei que isso ia acontecer. Tanto que insisti muito em trazer a biblioteca de ciências, que estava na ex-casa de Osvaldo Cruz, para um lugar mais baixo e frequentado por crianças. A Praça da Matriz seria o lugar ideal. Transpuseram os livros, montaram uma bibliotecazinha ali. Os empresários, aliás, em vez de se preocupar com a cidade, resolveram fazer uma dádiva apenas para mostrar colaboração. Criaram a biblioteca infantil e mandaram comprar livros que não tinham nada de relação com a educação infantil. Eu fiquei furioso com isso. Continuei levando muitos livros para lá, auxiliado por uma pessoa que fez história na USP. Foi a minha tarefa. Mas a gente não sabia que ia chegar o dia dos 13 em 13 e dos 26 em 26. Passei a me preocupar com isso depois que estudei o quadro na região de Blumenau. Já estava escrito.

Também já estavam escritas as mortes em Angra?

Lá foi invasão em áreas de risco, pousadas sucessivas nas encostas. Morro é sempre complicado. Como os prefeitos deixam isso acontecer sabendo que embaixo dos morros tropicais tem solo vermelho fofo, de forma que casas bem construídas ou mal construídas podem, durante esses ciclos de climatologia anômala, descer pelas encostas, matar as pessoas, derruir as cidades? O principal derruimento, minha filha, é a ignorância das pessoas. Ao saber que o governo do Estado do Rio havia liberado áreas de risco e de proteção ambiental para a expansão das cidades, fiquei desesperado. É preciso ter menos ignorância, mais planejadores, mais equipes interdisciplinares capazes de observar o sítio urbano, a região do rio acima, a região do morro, a do lóbulo interno dos meandros. A moça que trabalha aqui comigo em Ubatuba me dizia que, por morar em bairro afastado, não tem escola para os filhos. Começa por não ter escola, começa por não conhecer a história da cidade, tampouco o clima da região.

Que história se perdeu sob as águas do Rio Paraitinga?

A história de uma cidade que enriqueceu durante o ciclo do café e decaiu com a estrada de ferro. Durante o ciclo, a única maneira de exportar o café era saindo de Taubaté e passando pela região onde hoje está São Luiz. Ali se formou uma rua alongada, com as casas à direita e à esquerda, a Rua das Tropas. Pois bem, algumas pessoas dos arredores de São Luiz também tiveram ali fazendas de café. Houve uma época, inclusive, em que empreendedores de origem francesa tentaram fazer uma indústria de tecidos no caminho que vai de São Luiz a Ubatuba, por isso muitos nomes da cidade têm origem híbrida, portuguesa e francesa. Mas foi um investimento fracassado.

E como surgiram os casarões?

Os fazendeiros de café ficaram tão encantados com a exportação do produto pela estrada que tiveram, a partir de 1850, a ideia de construir casarões para morar na cidade. E toda roça é muito triste à noite, sobretudo aquelas com riachos cortando os morros. Enquanto na roça permaneceram os capatazes, na cidade os fazendeiros receberam imigrantes de várias partes, especialmente de Portugal, que tinham tradição e capacidade de construir casarões de pau a pique e taipa. Não é uma coisa que resista a todos os tempos, sobretudo quando há enchentes dramáticas. Bom, filha, essas pessoas receberam uma tragédia socioeconômica em torno de 1900, quando se estabeleceu a Estrada de Ferro Central do Brasil. Todo o café, do vale inteiro, passou a sair pela estrada por Taubaté, São José dos Campos e Lorena em direção ao Brás e, de lá, pela Estrada Santos-Jundiaí. Mudou-se o eixo da exportação. O problema era sério e grave. Algumas famílias de fazendeiros foram fenecendo. Pessoas de Minas Gerais, que sabiam guardar seu dinheirinho, vieram para São Luiz e compraram terras para fazer o que sabiam fazer: criar gado leiteiro. Disso viveram por muitos anos. Quanto aos casarões, muitos foram transformados em hotéis.

O senhor acredita que Paraitinga voltará a ser polo turístico?

A USP, universidade em que nasci como pessoa cultural, vai fazer um grupo de trabalho para compreender a cidade em todos os níveis. Disseram que queriam colocar o meu nome em primeiro lugar na equipe. Pedi que não me constrangessem. Eu já estou muito constrangido com mil coisas, estou desesperado com os péssimos políticos que o Brasil tem.

O senhor disse certa vez que o governo não tinha noção de escala. Continua achando o mesmo?

Em projetos médios e maiores, continua sem noção. E quem não tem essa noção dirige mal o seu país. No caso do presidente da República, sempre insisti com ele: “Você, que sabe fazer discurso, fale nas suas prédicas que vai pensar no nacional, no regional e no setorial”. O nacional é a Constituição, são as reformas especiais que precisam acontecer de tempos em tempos. Regional é o conhecimento do Brasil como um todo: as terras baixas da Amazônia, os afluentes do Amazonas, o Golfão Marajoara, as colinas recobertas por caatingas entre as chapadas do Nordeste, entrando um pouquinho pelo Piauí e muito pelo Rio Grande do Norte, com raros solos vermelhos, bons quando a topografia é suave. Esses locais foram muito úteis para o Ceará, mais úteis que alguns políticos que existem lá. O setorial pressupõe pensar em educação, saúde pública, transportes, comunicação livre, setor socioeconômico e setor sociocultural.

Há quem atribua essas tormentas climáticas dos últimos meses ao aquecimento global. Há alguma verdade nisso?

Isso é bobagem. O ciclo deste ano é um ciclo periódico complicado. Essas pessoas que falam em aquecimento global erraram tanto até hoje… Diziam, por exemplo, que o aquecimento iria derruir a mata amazônica. Outro publicou num jornal de São Paulo que, por causa do aquecimento global, a mata atlântica de Santa Catarina até o Rio Grande do Sul seria destruída. Ele não sabia que essa mata só está na costa. Agora, é verdade que, somando os aquecimentos das áreas industriais e das áreas urbanas, dá um aquecimento contínuo. Daí em Copenhague terem defendido o combate a ele.

O senhor achava que a COP-15 teria outro desfecho?

Eu sabia que seria um insucesso. Quero um bem imenso à Dinamarca, tenho razões culturais para isso, mas note bem: quando vi que o Lula ia indicar um grande número de pessoas, foram mais de 740, eu disse: como é que em Copenhague, cidade relativamente pequena, tradicional, como é que vai haver uma reunião em que mais de 740 pessoas possam fazer debates? Ia dar numa coisa zero.

Foi um insucesso por causa da grande comitiva brasileira?

Foi por causa de tudo, mas o Brasil viajou para lá exuberante. Levaram a Dilma. A Dilma nunca entendeu de meio ambiente. Não tem culpa. Ela tem outro passado, daí ter sido colocada inicialmente no Ministério de Minas e Energia.

E o que o senhor acha de Marina Silva como candidata, ela que sempre esteve ligada à preservação ambiental?

Ela não conhece o Brasil. É uma mulher do Acre, uma pessoa que acredita no criacionismo. Ela é ela, e acabou. Tudo o que sabe é que existiram aquelas fantásticas atitudes de Chico Mendes.

Quem entende de meio ambiente no governo, professor?

No governo, apenas os técnicos mais jovens do Ibama, com o auxílio de promotores públicos também jovens, saídos das boas universidades brasileiras. São eles que me dão entusiasmo, são eles que me dão esperança. Mas o Ibama está gradeado pelo governo federal, o que é um absurdo. Isso vai redundar, no futuro, em muita coisa contra a biografia de todos eles, sejam governantes federais, estaduais ou municipais. Digo e repito: nós no Brasil precisamos aprender a contestar os idiotas.