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A polêmica do “trem-bala”

20/09/2010

“Trem de alta Velocidade” pode não ser tudo isso que o governo e os empresários divulgam.

TAV similar ao que será implementado no Brasil. Foto: Estadão

TAV similar ao que será implementado no Brasil. Foto: Estadão

O Trem de Alta Velocidade Rio-São Paulo (TAV RJ-SP) ou ainda TAV Brasil é um projeto do governo federal, com a função de interligar as duas principais metrópoles brasileiras: São Paulo e Rio de Janeiro. Posteriormente, um estudo técnico de viabilidade incluiu ligar Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro numa só linha de 518 km de extensão.

Além da integração de três regiões metropolitanas, o TAV ligará os dois maiores aeroportos internacionais do Brasil: Guarulhos e Galeão, além de Viracopos.

No projeto, há a previsão para duas paradas no lado paulista do Vale do Paraíba, uma em Aparecida e outra cuja definição será feita pela empresa vencedora da licitação.

As cidades de São José dos Campos, Jacareí e Taubaté estão disputando entre si a construção da segunda estação no Vale. O que as prefeituras e os empresários locais anunciam é que haverá um grande progresso econômico na cidade que for escolhida.

Mas a verdade é que esse progresso pode se restringir somente a eles. Nas proximidades da estação, poderiam ser construídos shopping-centers e outros edifícios comerciais, o que aumentaria muito o faturamento do ramo imobiliário. Fora isso, a população mesmo não teria grandes vantagens.

Preço caro

Segundo cálculos do próprio governo, o preço da passagem mais barata do trem-bala será de R$ 0,60 por quilômetro. Assim, uma viagem de SP ao Rio na classe econômica custaria cerca de R$ 250,00. Não é preço de transporte de massa. Ou seja, o trabalhador não vai viajar nesse trem. E mesmo quem pode pagar a passagem certamente vai preferir ir de avião, ao custo de R$ 100,00 (preço médio atual). Ir e voltar de avião vai sair mais barato que uma só viagem de trem-bala.

Além disso, não podemos esquecer que o BNDES vai financiar R$ 21 bilhões dos R$ 35 bilhões que vai custar a obra. É uma obra bastante cara, paga com dinheiro público, mas sem a menor perspectiva de que a população venha a utilizá-la.

Custo ambiental

Ainda não estão claros os impactos ambientais que essa obra vai causar. A grande preocupação dos moradores de São José dos Campos é que o trajeto passe pelo Banhado, a última e mais importante área protegida da cidade, fundamental para o equilíbrio ecológico e, consequentemente, para a vida das pessoas.

Para evitar a degradação do Banhado, bem como o solo turfoso, que faria afundar o trem, a linha, a estação e tudo mais, os técnicos sugeriram fazer um túnel sob a área. Mas, isso não diminuiria o impacto e nem os problemas do tipo de solo. E ainda elevaria o custo da obra.

Tecnologia obsoleta

O trem-bala brasileiro não será daqueles magnéticos que há na Europa e no Japão, mas de “roda de aço no trilho mesmo”!

Um custo muito alto para uma tecnologia que não será mais utilizada no mundo em uma ou duas décadas.

Está certo que o transporte ferroviário, qualquer que seja, é menos poluente, menos agressivo ao meio ambiente e geralmente muito mais barato. Mas, esse projeto do trem-bala, por todos esses motivos, não faz parte de um projeto de expansão de malha ferroviária nacional, o que, na verdade, não existe.

O dinheiro a ser gasto na obra poderia ser utilizado justamente para criar um novo tipo de transporte de massa no país, de baixo custo para os usuários e de pouco ou nenhum impacto ambiental.

Porém, está claro que não é esse o objetivo do governo federal, que, com seu trem-bala, pretende apenas transportar turistas durante a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, além de gerar lucro para as construtoras envolvidas na própria obra e uns poucos empresários das cidades em que passará. 

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Comunidade impedida de conhecer pesquisa

06/09/2010

Violência e ameaças na cidade argentina de La Leonesa impediram ativistas comunitários de assistirem a palestra de um renomado cientista a respeito de  suas conclusões sobre o impacto à saúde de produtos químicos pulverizados em culturas de arroz e soja.

Ativistas da comunidade de La Leonesa, uma pequena cidade localizada em uma área de produção de arroz em grande escala no Departamento de Chaco, foram assistir a uma palestra que seria ministrada pelo professor Andrés Carrasco, um cientista e médico da Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires.

Uma delegação de dois deputados provinciais, um ex-funcionário público e membros da comunidade vizinha de Resistencia também chegou a La Leonesa para ouvir a palestra.

A pesquisa do professor Andrés Carrasco, concluída em 2009, destacou os efeitos negativos em embriões do glifosato, um agrotóxico comumente utilizado.

Ao chegar a La Leonesa, a delegação dirigiu-se para a escola onde seria dada a palestra. No entanto, a palestra foi suspensa porque a delegação foi agredida por um grupo de cerca de 100 pessoas que os ameaçava e surrava. Uma pessoa, atingida na coluna, ficou com as penas paralisadas, e outra passa por exames neurológicos depois de ser golpeada na cabeça. O ex-subsecretário provincial de Direitos Humanos, Marcelo Salgado, foi atingido no rosto ficando inconsciente. Dr. Carrasco e seu colega fecharam-se num carro, e foram cercados por pessoas que faziam ameaças violentas, esmurrando o carro por duas horas. Os membros da comunidade ficaram feridos e equipamentos de um jornalista foram danificados.

Os membros da comunidade que testemunharam o incidente responsabilizaram  as autoridades pelo ataque, bem como um produtor de arroz e seus trabalhadores e guardas de segurança. Acreditam firmemente que a violência foi engendrada por eles, e motivada por poderosos interesses econômicos por trás da agroindústria do lugar. Apesar dos apelos às autoridades locais, os policiais foram lentos em reagir e não enviaram reforços suficientes para acabar com a violência.

Fonte: Biodiversidad en América Latina y El Caribe e Amnistía Internacional