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Gripe suína foi causada por porcos capitalistas

11/05/2009

Busca de maiores taxas de lucro, legislação ambiental branda e fiscalização negligente estão na origem da pandemia da nova gripe.

Parece exagero a gente ficar batendo sempre na mesma tecla, dizendo que o capitalismo e sua necessidade intrínseca de se expandir continuamente é o único culpado pela destruição dos recursos naturais e, consequentemente, da vida das pessoas.

Mas, infelizmente,  um caso como esse, da “gripe suína”, só mostra mais as garras da crueldade do sistema.

Por que no México?

Todo mundo sabe que a gripe teve origem no México, mas ninguém se deu ao trabalho de perguntar – e a mídia ocultou – por que motivos a hoje pandemia começou naquele país.

A história, na verdade, tem início nos Estados Unidos.

É de lá que veio a empresa denominada “Smithfield Foods”, uma indústria de alimentos, que produz, embala e comercializa principalmente carne e derivados de porcos e até javalis.

A companhia encabeça uma lista das quatro maiores do ramo, que detém 66% do mercado norte-americano. Tem várias fazendas em diferentes partes dos EUA, cada qual com milhares de animais.

Cada porco produz três vez mais excrementos que um humano, o que acaba criando sérios problemas ambientais. Uma de suas fazendas, no estado de Utah, com 500.000 porcos, acabou gerando oito vezes mais dejetos que Salt Lake City, a maior cidade da região. Todo esse dejeto era despejado em gigantescas “lagoas” a céu aberto, contaminando água, ar e solo.

Na Carolina do Norte, houve contaminação de rios e riachos, por causa do lançamento de toneladas de dejetos nessas “lagoas”.

A mesma coisa aconteceu em outros pontos do país e, além da contaminação ambiental, a empresa também passou a ser acusada de desrespeito à legislação trabalhista.

Mas, respeitar os direitos dos trabalhadores e as leis ambientais implicam em elevar os custos de produção e, consequentemente, reduzir a taxa de lucro. Como isso não poderia acontecer, a industria migrou para países com legislação mais frouxa e mão-de-obra mais barata.

Começou pela Polônia, em 1999, depois Romênia, até chegar ao México, aproveitando os termos do Tratado de Livre Comércio da América do Norte – “Nafta”, na sigla em inglês para “North America Free Trade Agreement”.

Fazenda na Polônia - Foto: Pravda.ru

Fazenda na Polônia - Foto: Pravda.ru

Consequências previsíveis

Apesar dos inúmeros processos judiciais que sofreu em seu país de origem, a empresa operava livremente nesses outros, sem os entraves da leis ambientais e trabalhistas e com a conivência de seus respectivos governos.

Com isso, foram despejados em seus territórios toneladas e toneladas de excrementos de porcos, sem nenhum tipo de precaução ambiental e explorando os trabalhadores locais, com baixos salários, condições insalubres e poucos direitos.

Denúncias da população mexicana

No México, foi criada uma subsidiária chamada “Granjas Carroll”, com sede no estado de Vera Cruz, em uma pequena cidade chamada Perote, onde vive uma comunidade obviamente pobre.

Eli Ferrer Cortés, um habitante local procurou o jornal “La Marcha”, de alcance regional, e fez a seguinte denúncia: “Os dejetos fecais e orgânicos produzidos pela Granja Carroll não são tratados adequadamente e estão contaminando a água e o ar”.

A partir dessa denúncia, outros moradores criaram coragem e procuraram as autoridades de saúde mexicanas, as quais, já no início de abril de 2009, declararam que “investigações preliminares indicavam que o vetor da doença era uma espécie de mosca que se reproduz em excrementos de porcos e que a epidemia estava relacionada às fazendas”.

A história foi abafada pela grande mídia até o final de abril, quando a doença já havia infectado mais de 1.000 pessoas no México e Estados Unidos e matado 68.

Biogestores e porcos mortos nas "Granjas Carroll", México - Foto: The Ethicurean

Biogestores e porcos mortos nas "Granjas Carroll", México - Foto: The Ethicurean

E o resto todo mundo sabe. Hoje, a gripe causada pela picada de uma mosca que carregava um vírus alojado na bosta do porco virou pandemia, ou seja, uma epidemia que está se alastrando rapidamente pelo mundo todo, já que o vírus, entre humanos, é transmitido pelo ar.

E tudo isso porque uma empresa preferiu não aumentar os custos de produção, mantendo a taxa de lucro, em lugar de se preocupar com o meio ambiente, a saúde e a vida das pessoas.

A história se repete

Esse tipo de coisa acontece o tempo todo e em todos os lugares.  A necessidade de expansão capitalista, sua superprodução descontrolada e a incessante busca por maiores taxas de lucro não encontram limites na ética, no bom senso e nem na vida dos outros.

Porém, o caso da “gripe suína” só está tendo toda essa repercussão na mídia, porque não está mais só afetando pobre.

Enquanto a degradação, as doenças e as mortes se restringem a comunidades longínquas e desconhecidas, tudo bem. O crescimento econômico de alguns é mais importante. E, de quebra, ainda se pode fazer uma limpeza étnica.

Exagero nosso?

Fontes:

Health Freedom Alliance

Food and Water Watch

Indymedia (CMI) Arizona

1º de maio ecológico, popular e classista

04/05/2009

No Dia Internacional do Trabalhador, a AES participou do ato da Conlutas em São José dos Campos

E não poderia ser diferente.

A gente não se cansa de dizer que é muito mais fácil encontrar nossos militantes em portas de fábrica, lutando, por exemplo, pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário, que participando de caminhadas na beira do rio, abraçando árvore ou batendo palminha na selva.

Estamos juntos com todos os que querem derrubar o capitalismo, nosso inimigo comum. A luta é a mesma e, por isso, não poderíamos deixar de participar do ato em São José.

Concentração para o ato - Foto: Marcelo Rezende

Concentração para o ato - Foto: Marcelo Rezende

Organização de lutadores

Esse foi o primeiro ato público em que a AES participou oficialmente como movimento da Conlutas – Coordenação Nacional de Lutas. A gente se juntou à Conlutas há mais ou menos um ano e até estivemos no I Congresso da entidade, em Betim -MG, em julho de 2008, com dois delegados. Mas esta foi a primeira vez que tivemos a honra de subir em cima do caminhão de som e dar nosso recado.

Decidimos nos juntar à Conlutas, porque é uma organização que não inclui apenas direções de sindicatos. Engloba também oposições sindicais e movimentos populares, como os de sem-terra, sem-teto e os ecológicos como o nosso. Reúne, portanto, todos aqueles que querem lutar por um mundo melhor.

Fortalecimento mútuo

Pessoal do Sindicato dos Metalúrgicos de SJC dando apoio à Dona Dita

Pessoal do Sindicato dos Metalúrgicos de SJC dando apoio à Dona Dita, de São Luiz do Paraitinga - Foto: Jéssica

Fica muito mais fácil enfrentar o sistema quando os diversos movimentos se unem e um apoia a luta do outro.

Na prática, isso fica também muito interessante.

Nesse 1º de maio, por exemplo, enquanto a gente, da AES, engrossava a campanha pela reestatização da Embraer, colhia assinaturas em favor da Dona Dita, de São Luiz do Paraitinga, para ajudá-la na ação que ela move contra a VCP e Monsanto.

Angélica, da AES, explica ao trabalhador o problema da monocultura do eucalipto e a luta do pessoal de São Luiz do Paraitinga - Foto: Jéssica

Angélica, da AES, explica ao trabalhador o problema da monocultura do eucalipto e a luta do pessoal de São Luiz do Paraitinga - Foto: Jéssica

Com isso, os metalúrgicos e os químicos de São José dos Campos,  o pessoal das indústrias da alimentação de Jacareí, os papeleiros aposentados, os professores da Oposição Alternativa da APEOESP,  os funcionários públicos da Oposição dos Servidores Municipais de SJC e os sem-teto da Ocupação do Pinheirinho, entre outros trabalhadores, não só tomaram conhecimento como passaram a apoiar a luta contra a monocultura do eucalipto.

Suzana faz o mesmo - Foto: Jéssica

Susana faz o mesmo - Foto: Jéssica

O apoio foi gigante! - Fotos e montagem: Marcelo Rezende

O apoio foi gigante! - Fotos e montagem: Marcelo Rezende

Nossos movimentos

Além de São Luiz do Paraitinga, pedimos uma força também para o pessoal do Jardim Nova Esperança, no Banhado, que esteve presente.

Sentimos falta da galera de São Francisco Xavier, que também sofre com a agressão a seus recursos naturais, provocada pelo corte de madeira na serra, mas não pode mandar nenhum representante. Uma pena.

De qualquer forma, eles sabem que podem contar com a gente e com todos os trabalhadores de todos os movimentos da Conlutas.

Flagrantes

Jéssica (AES), Nícia (PSTU), Soninha (Oposição dos Servidores SJC) e Clara (AES) - Foto: Denis

Jéssica (AES), Nícia (PSTU), Soninha (Oposição dos Servidores SJC) e Clara (AES) - Foto: Denis

Em cima, a partir da esq: Denis (AES), Renato (Jd. Nova Esperança - Banhado), Gláucia (Oposição Alternativa APEOESP), Angélica (AES) e Denis Dias (Estudantes Secundaristas); Abaixo; Clara (AES) e Douglas (AES) - Foto: Marcelo Rezende

Em cima, a partir da esq: Denis (AES), Renato (Jd. Nova Esperança - Banhado), Gláucia (Oposição Alternativa APEOESP), Angélica (AES) e Denis Dias (Estudantes Secundaristas); Abaixo; Clara (AES) e Douglas (AES) - Foto: Marcelo Rezende

Donizetti (Conlutas), no caminhão - Foto: Marcelo Rezende

Donizetti (Conlutas), no caminhão - Foto: Marcelo Rezende

Todo mundo ligado nas falas - Foto: Marcelo Rezende

Todo mundo ligado nas falas - Foto: Marcelo Rezende