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Apoio à “Dona Dita”, de São Luiz do Paraitinga

24/04/2009

Agricultora é símbolo da resistência popular contra a monocultura do eucalipto e necessita do apoio de todos.

Benedita de Morais de Oliveira e seu marido, Albertino, vivem em um sítio em São Luiz do Paraitinga há mais de 40 anos. Antigamente, plantavam de tudo e tiravam seu sustento da terra.

Após a invasão do eucalipto, pouca coisa nasce por lá além dessa árvore maldita. O casal ainda resiste e, mesmo em condições precárias de sobrevivência, permanecem no local, estrangulados em um pequeno pedaço de chão cercado por um anel de eucaliptos.

Seu Albertino estrangulado pelo anel de eucalipto

Seu Albertino estrangulado pelo anel de eucaliptos

Em novembro de 2005, avançando em novas áreas de cultivo, a empresa VCP – Votorantim Celulose e Papel S/A preparava o solo perto da casa de Dona Dita e Seu Albertino jogando o desfolhante “Roundup”, um “mata-mato” altamente tóxico fabricado pela transnacional “Monsanto”.

O produto – dizem – é um derivado do temível “Agente Laranja“, herbicida utilizado pelos norte-americanos na Guerra do Vietnã, para destruir as plantações de arroz que alimentavam a população inimiga e remover a folhagem que lhes servia de abrigo.

Contaminação quase fatal

O produto penetrou no solo e no lençol freático e contaminou a nascente que era utilizada para abastecer a casa da Dona Dita. Foi necessário só um gole da água de sua própria casa para o veneno começar a fazer efeito.

Teve convulsões violentas, dores terríveis, perda de visão e por pouco, não fosse Seu Albertino ter prestado socorro imediato,  ela teria morrido.

Segundo informaram ao casal, os efeitos são muito semelhantes aos de uma picada de jararaca, agindo diretamente no sistema nervoso central. Tanto que, até hoje, ela apresenta sequelas de ordem neurológica, dentre as quais a incapacidade de andar como antes.

Dona Dita e seus famosos requeijões

Dona Dita e seus famosos requeijões

Processo judicial

O caso foi levado a várias supostas autoridades, mas apenas a Defensoria Pública de Taubaté, na pessoa do Dr. Wagner Giron, sensibilizou-se e abraçou a causa, ajuizando uma ação indenizatória em favor de Dona Dita e contra as empresas VCP e Monsanto.

Dona Dita já passou pela perícia médica em São Paulo, mas o processo ainda não foi julgado. Você pode acompanhar o andamento no site do Tribunal de Justiça. Você tem que escolher o “Fórum/Comarca” de São Luiz do Paraitinga e digitar o ano (2007) e o Nº do processo (000119).

É aí que a gente entra

Militantes da AES atentos aos últimos informes do Marcelo Toledo, na Praça Oswaldo Cruz, em São Luiz do Paraitinga - Foto: Marcelo Rezende

Militantes da AES atentos aos últimos informes do Marcelo Toledo, na Praça Oswaldo Cruz, em São Luiz do Paraitinga - Foto: Marcelo Rezende

A luta de Dona Dita serviu de exemplo para toda a comunidade e hoje há um movimento muito forte contra a monocultura do eucalipto, formado principalmente por pequenos agricultores.

Em pouco mais de dois anos, a população se organizou e está mobilizada contra a expansão do eucalipto na região.

Por isso, o processo da Dona Dita acabou se tornando um marco dessa luta, criando uma divisão muito clara entre as pessoas. Ou se está do lado da Dona Dita, ou do lado da VCP e da Monsanto. Não dá para ficar em cima do muro.

Esperamos que a juíza da causa e os desembargadores que irão julgar o caso depois, em grau de recurso, escolham o lado certo.

Para isso, não bastam apenas argumentos jurídicos. É necessário que muita gente manifeste sua opinião e mostre aos julgadores qual é o lado certo.

Abaixo-assinado

A gente está apoiando o movimento há muitos anos e conhece a Dona Dita e pessoal de São Luiz do Paraitinga faz tempo, que aliás nos recebem sempre muito bem.

No último domingo, dia 19 de abril, militantes da AES estiveram lá para um encontro com o Marcelo Toledo, um dos moradores que coordena a resistência. E ele bolou um abaixo-assinado genial, cujo cabeçalho é o seguinte: “Abaixo-assinado em apoio à agricultora Benedita de Morais de Oliveira (Dona Dita do Albertino) na ação indenizatória que a mesma move contra as empresas Votorantim Celulose e Papel e Monsanto do Brasil“.

Marcelo Toledo com o abaixo-assinado original - Foto: Marcelo Rezende

Marcelo Toledo com o abaixo-assinado original - Foto: Marcelo Rezende

É genial porque é simples, objetivo, direto e traz implícito a pergunta óbvia: “De que lado você está?”

Então, você pode simplesmente reproduzir o texto do cabeçalho, colher um monte de assinaturas, com nome legível e RG de cada um, e mandar para a Ação Eco Socialista (Rua Sebastião Hummel, 759 – Centro – CEP 12210-200 – São José dos Campos – SP).

Militantes da AES assinando: (A partir do alto, à esq, sentido horário: Denis, Éverton, Susana, Marcelo Toledo, Jéssica, Gláucia, Douglas, Marcelo Rezende, Angélica e Clara - Fotos e montagem: Marcelo Rezende

Militantes da AES assinando: (A partir do alto, à esq, sentido horário: Denis, Éverton, Susana, Marcelo Toledo, Jéssica, Gláucia, Douglas, Marcelo Rezende, Angélica e Clara - Fotos e montagem: Marcelo Rezende

A idéia é depois encaminhar tudo à Defensoria Pública, que se comprometeu a juntar no processo e mostrar para os juízes qual o lado do bem.

E afinal, você está mesmo de que lado?

Para saber mais

Sobre o caso da Dona Dita e sobre a monocultura do eucalipto, sugerimos os filmes que estão nas nossas páginas fixas.

Eucaliptos cercando a área - Foto: Marcelo Rezende

Eucaliptos cercando a área - Foto: Marcelo Rezende

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Ação em São Francisco Xavier

13/04/2009

Distrito no alto da Serra da Mantiqueira recebeu militantes da AES na última quinta-feira, 9 de abril, para campanha da Embraer.

São Francisco Xavier - Foto: Jéssica

São Francisco Xavier - Foto: Jéssica

Apesar de estarem enfrentando um grave problema com a água desde outubro de 2008, quando um único explorador canalha aterrou a nascente que abastecia a cidade, os moradores não estranharam que os militantes da AES, desta vez, não estavam lá só por causa da luta ecológica.

É que, desde que começou o problema, a Ação Eco Socialista esteve presente lá, levando solidariedade e lutando junto com a população do centro urbano, a que foi diretamente afetada pelo corte de madeira na serra.

Já naquela época, nossos militantes mostraram que as consequências desatrosas que se abateram sobre a cidade tinham como causa a superprodução capitalista, no caso a exploração madeireira em área protegida. 

E sabendo que a AES prega a destruição do capitalismo como condição essencial para a salvação do planeta, não estranharam o fato de estarmos lá para pedir apoio para a campanha pela reintegração dos demitidos e reestatização da Embraer.

Afinal, enfraquecer esse sistema estúpido ajuda a proteger a natureza.

Consciência é essencial

Praça central de SFX, na chegada dos militantes - Foto: Jéssica

Praça central de SFX, na chegada dos militantes - Foto: Jéssica

Todos os militantes da AES tem plena consciência disso e estão muito bem preparados para discutir o assunto a fundo. Aliás, adoramos discutir política!

Assim, o pessoal passou várias horas em São francisco Xavier não apenas entregando panfletos e pregando cartazes, mas também – e principalmente! – conversando com as pessoas, explicando o que era “reestatização” e porque essa é a única saída para a Embraer e para a crise de um modo geral.

O resultado foi muito satisfatório, porque as pessoas acabaram entendendo e se conscientizando de que é preciso se juntar e lutar contra as tentativas que governos e empresas vem fazendo, no sentido de que o preço da crise econômica seja pago pelos trabalhadores.

Uma tarefa bem agradável

Ao contrário do que muita gente pode pensar, uma atividade política como essa não é uma coisa chata, pesada  e desgastante.

Além da satisfação por ajudar a despertar a consciência de outros, uma panfletagem pode ser algo bem divertido.

Susana chegando para a panfletagem em "São Chico" - Foto: Jéssica

Susana chegando para a panfletagem em "São Chico" - Foto: Jéssica

Você vai a vários lugares diferentes, conhece pessoas novas e tem a oportunidade de aprender uma série de coisas, especialmente sobre como é a vida dessas pessoas, o que pensam, como se relacionam umas com as outras, o que querem, o que temem, quais são os seu sonhos e etc.

Há, de saída, um intercâmbio cultural fantástico.

Clara entre os artesãos colombianos recém-chegados, que passaram a apoiar a campanha. Foto: Jéssica

Clara entre os artesãos colombianos recém-chegados, que passaram a apoiar a campanha. Foto: Jéssica

Depois, você acaba atraindo a simpatia de um monte de gente e até faz novos amigos.
Clara, Éverton e Susana colocando cartazes e panfletando na Escola Armando de Oliveira Cobra, com o apoio do Elói, o zelador (à esq.) - Foto: Jéssica

Clara, Éverton e Susana colocando cartazes e panfletando na Escola Armando de Oliveira Cobra, com o apoio do Elói, o zelador (à esq.) - Foto: Jéssica

Isso porque as pessoas acabam percebendo que não importa de onde você é e que língua você fala.

A sua luta é exatamente igual a delas e todos estão ali, no mesmo lugar, para se ajudarem mutuamente.

E, no final, depois de tudo, você sai com a sensação de que vale a pena, sim, todo o seu esforço e que as coisas podem – mesmo! – mudar de verdade.

Pensa nisso e depois entra em contato com a gente!

Jéssica no final da panfletagem, já de noite - Foto: Éverton

Jéssica no final da panfletagem, já de noite - Foto: Éverton

E quem quiser saber mais sobre o problema que ocorreu em São Francisco Xavier, dá uma lida no “Jornal Casal“.

Apagão de protesto: Ninguém viu nada!

05/04/2009

No dia 28 de março, centenas de cidades ao redor do mundo aderiram ao protesto idealizado pela ONG internacional WWF – Fundo Mundial para a Natureza.

Segundo a organização, o objetivo da ação era conscientizar a população mundial sobre a degradação da natureza causada pelo homem e pelo mau uso dos recursos naturais. Todas as luzes e eletrodomésticos deveriam ser desligados ao mesmo tempo, a partir das 20 horas em Sydney, Austrália.

No Brasil, a única cidade participante foi Curitiba-PR.

Além da falta de “visibilidade”,  o protesto ainda pode não servir exatemente aos fins propostos.

Momentos finais do apagão em Sydney, Austrália...

Momentos finais do apagão em Sydney, Austrália...

Ato desvia a atenção do foco principal

Toda forma de protesto é válida e toda e qualquer forma de mobilização popular é bem interessante. Só assim as coisas mudam.

Porém, no caso de protestos dessa espécie, o perigo é justamente o efeito contrário: Levar a luta para o lado errado!

A degradação e o mau uso dos recursos naturais não foram causadas “pelo homem”, mas sim por “alguns homens” que se beneficiam do sistema capitalista. O restante “dos homens”, na verdade, não tem responsabilidade nenhuma pela desgraça ambiental.  Esse tipo de ação, portanto, imputa nas vítimas a culpa pela destruição do planeta.

Fora isso, qual exatamente a “população mundial” que eles queriam conscientizar? Bilhões de pessoas no mundo não tem acesso à água potável. Outros tantos tem acesso, mas tem que pagar por ela, como nós, por exemplo. Milhões de pequenos agricultores perderam seu meio de vida por causa das mudanças climáticas e, junto com as vítimas das enchentes, secas e outros desastres, formam hoje uma população inteira de “refugiados ambientais”.

Então, a conscientização proposta pela ONG teve como alvo apenas uma pequena parcela da classe média urbana, uma vez que a população pobre já está consciente há muito tempo.

Esse e outros protestos de classe média não fazem qualquer referência ao único responsável por tudo isso, que é o sistema capitalista e sua superprodução econômica anárquica. E param por aí.

Finalmente, duvidamos que alguém que participou do protesto vá se engajar em alguma luta para mudar as coisas. Não vai. A não ser que um tsunami bata na janela do seu apartamento.