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Atividade no Banhado

27/03/2009

Companheiros da AES fizeram ontem uma atividade com o pessoal do Jardim Nova Esperança, em São José dos Campos.

O “Banhado” é uma área bem no centro da cidade, antiga várzea do Rio Paraíba, muito rica em recursos naturais, como água, terra boa e ar puro.

Além disso, é sem dúvida o lugar mais bonito da região  e aparece em quase todos os cartões postais de São José dos Campos. 

Lá vivem cerca de 400 famílias, no bairro chamado “Jardim Nova Esperança”, comunidade que está no local há mais de 70 anos.

Galera atenta aos vídeos - Foto: Jéssica

Galera atenta aos vídeos - Foto: Jéssica

Pobre tem que morar em lugar feio e longe

Como não poderia deixar de ser, demorou, mas o avanço capitalista chegou ali, na forma da especulação imobiliária. Por causa das condições naturais e por estar no centro da cidade, perto de tudo, um terreno pode valer uma fortuna e já há anúncios de lançamento de edifícios de luxo, com apelo para o “maravilhoso por-do-sol no Banhado”.

E a prefeitura já mostrou de que lado está.

Além de não implementar nenhum serviço público importante, como saneamento, ainda tenta retirar o pessoal de lá, para construir uma avenida. A propósito, esgoto lá é só o que é jogado dos prédios do centro para cima da comunidade. Até isso eles aguentam.

Com a desculpa de irregularidade nos lotes e construções e ainda de agressão ambiental, pretende remover as famílas para longe do centro, fora da vista dos futuros moradores dos prédios chiques. Provavelmente, eles serão encaminhados para casas capengas da CDHU, as quais ficarão pagando durante uns 25 anos.

Tem muitos detalhes e a gente promete ir contando aos poucos.

A atividade  da AES foi bem recebida

O importante é que os moradores não querem sair e não aceitam a acusação de que estariam agredindo o meio ambiente, mesmo porque, estão lá há quase um século e o Banhado está do mesmo jeito.

Essa disposição de resistência e luta é a mesma de várias comunidades espalhadas pelo mundo, especialmente na América Latina, também vítimas do mesmo inimigo: A expansão capitalista e a busca do lucro, independente do mal que possa causar às pessoas, seus sonhos e suas vidas.

Filme sobre São Luiz do Paraitinga emocionou. Foto: Jéssica

Filme sobre São Luiz do Paraitinga emocionou. Foto: Jéssica

Por isso que a gente escolheu, para começar, a atividade chamada “O capital e a natureza na América Latina”, com vídeos mostrando não só as lutas das comunidades, mas também que a união de todas elas torna mais fácil  combater o inimigo comum.

É isso que a gente faz. Entre outras coisas.

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Fórum Mundial da Água

23/03/2009

Representantes de 150 países reuniram-se em Istambul, na Turquia, para discutir soluções para a escassez da água.

Embora “todos” tenham sido convidados, segundo o governo turco, e da importância do tema, o Fórum,  teve pouca repercussão internacional e na mídia, apesar do “Dia Mundial da Água”.

Na verdade, as soluções para o hoje inquestionável problema da escassez trouxeram mais preocupações.

A meta dos governos e empresas é que não falte água para o desenvolvimento capitalista. Assim, cada vez mais, ela está sendo dotada de valor econômico, ou seja, considerada uma mercadoria, como o petróleo, por exemplo, com cotação em bolsas e etc. Essa é a política do Banco Mundial para enfrentar a crise da água. 

Quanto às populações com pouco ou nenhum acesso à água potável, que paguem por ela às empresas detentoras dos direitos de sua exploração, como Coca-Cola e Nestlé, principalmente, ou bebam água contaminada com agentes químicos,  urina tóxica e outros resíduos da atividade econômica no planeta.

A privatização da água já é realidade em alguns países e a tendência é que o seja em todo o mundo.

Protestos

O governo turco reprimiu os vários protestos que ocorreram durante o Fórum, de 16 a 20 de março.

Os manifestantes exigiam o livre acesso à água a todos os povos, o mesmo que nós fazemos por aqui.

   

Além disso, grupos da própria Turquia aproveitaram para denunciar o plano de construir represas pelo governo daquele país, para “impulsionar o progresso”, mesmo deixando algumas comunidades completamente sem água,  outras afogadas e ainda destruindo importantes sítios arqueológicos, entre eles os localizados entre os Rios Tigre e Eufrates.

O vídeo a seguir dá uma idéia do tamanho do desastre que o governo turco quer implementar no país. A narração está em inglês, mas as imagens são extremamente esclarecedoras:

Desastres naturais

Além das preocupações com a própria escassez da água, países como Holanda, Bangladesh e Tuvalu manifestaram-se bastante apavorados com a também inquestionável elevação do nível dos ocenos por causa do aquecimento global.

Seus territórios, em alguns anos, ficarão submersos, por já estarem abaixo do nível do mar.

Enfim, no “Dia Mundial da Água”, nada a comerar.

Fonte : Al Jazeera

Ibama libera Angra 3

20/03/2009

Insituto cedeu e relaxou nas exigências para a construção de outra usina nuclear em Angra dos Reis – RJ.

No último dia 4 de março, o Ibama concedeu a licença definitiva para a construção da usina. Até então, o que havia era uma licença prévia, condicionada à apresentação, pela Eletronuclear, estatal responsável pela obra, de uma solução “definitiva” para o resíduo radioativo, ou seja, o lixo nuclear produzido no final do processo.

O Ibama, claro, acabou cedendo às pressões do setor econômico e, em lugar da solução “definitiva”, passou a exigir uma solução “a longo prazo”.

Assim, o material radioativo terá o mesmo destino daqueles produzidos pelas usinas Angra 1 e Angra 2: Ficará no fundo de uma piscina por alguns anos, para que se resfrie, e depois irá para um depósito, onde permanecerá dentro de uns tubos, até o dia em que alguém descubra onde enfiá-lo, para que não cause danos a nada e a ninguém.

Domínio da tecnologia

A AES está acompanhando o caso desde o início e sempre lutou contra Angra 3 e, principalmente, contra a retomada do programa nuclear brasileiro pelo governo Lula, que prevê a construção de mais 50 usinas.

Participamos da Audiência Pública realizada há um ano em Ubatuba, fizemos duas intervenções, passamos um abaixo-assinado em São José dos Campos e cidades vizinhas, e ainda encaminhamos uma representação ao Ministério Público Federal de Angra dos Reis, exigindo a realização de uma audiência pública em uma cidade do lado paulista do Vale do Paraíba, que certamente será afetado no caso de um simples vazamento de material radioativo lá em Angra. 

Apesar de sermos contra tudo isso, não somos contra que o Brasil domine a tecnologia nuclear. Ter o conhecimento científico, contudo, não significa que devemos utilizá-lo na prática.

Motivos para repúdio não faltam

Os efeitos nocivos da radioatividade são bastante conhecidos e não há justificativa nenhuma para a utilização dessa energia no país, rico em outras fontes. Além do que, a quantidade de energia que será produzida não compensa nem o risco nem o gasto de R$ 8 bilhões. 

O que ninguém comenta, porém, é que a retomada desse programa nuclear, um cadáver apodrecido há mais de 30 anos, herança da ditadura militar, faz parte do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. Portanto, em uma meta mais próxima, a construção de Angra 3 beneficiará somente as empreiteiras envolvidas na própria obra. Para saber quais serão essas empreiteiras, sugerimos verificar no TSE aquelas que financiaram as campanhas eleitorais.

Toda essa energia que será gerada não tem por finalidade suprir a necessidade da população que reside nos locais em que serão construídas as usinas, mas impulsionar o agronegócio e a indústria de um modo geral. Em outras palavras, servirá para expandir o sistema capitalista, utilizando uma energia barata, apesar dos efeitos que causa na saúde das pessoas e no meio ambiente.

Aliás, é justamente por isso que países ricos, como Alemanha, Espanha e França estão banindo usinas nucleares de seus territórios, preferindo que sejam construídas em países do terceiro mundo com governos lacaios.

Além de lucrarem em cima do nosso passivo ambiental, gerando energia barata para impulsionar sua atividade econômica, eles ainda ganharão com a transferência de tecnologia, a venda de equipamentos e a manutenção desses mesmos equipamentos.

Angra 1 e Angra 2, por exemplo, foram construídas com sucata alemã no início dos anos 70 e ainda hoje existem equipamentos não utilizados desde aquela época, que certamente serão incorporados na “nova” usina Angra 3.

Participação francesa

No início de 2008, os presidentes Lula e Sarkozi tiveram um encontro na Guiana Francesa, que ocupou muito espaço na mídia. O que foi pouco ou quase nada divulgado é que, com o presidente francês veio uma comitiva da empresa “Areva”, que participou das conversações sobre “cooperação bilateral” entre os países.

A “Areva” é uma estatal francesa de geração e distribuição de energia nuclear e, dizem, a maior do mundo no setor. Por causa da rejeição dessa matriz energética na Europa, parece um tanto óbvio seu interesse em Angra 3.

A propósito, já em fevereiro de 2007, ela ganhou do governo brasileiro um contrato de R$ 2 bilhões, para fornecer equipamentos para a nova usina.

Em um mundo socialista…

Se estivéssemos vivendo em um sistema econômico de produção planificada, quer dizer, que produz o que as pessoas precisam para viver bem, e não só para gerar lucro para um punhadinho de babacas, não haveria nenhuma razão para se construir usinas nucleares, com efeitos devastadores na vida de todos, especialmente em comunidades pequenas, como em Caetité-BA, onde tudo começa:

 

Ruralistas farão as leis ambientais

16/03/2009

Bancada representativa da direita agrária conseguiu 16 cadeiras na “Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável” da Câmara dos Deputados.

Já faz tempo que os ruralistas reclamam que as leis ambientais atrapalham o desenvolvimento da agricultura nacional.

Isso porque o sistema capitalista traz em sua essência a necessidade de expandir-se constantemente. Não seria diferente com o agronegócio.

E agora, como já era esperado, avançará sobre áreas protegidas, principalmente na amazônia, que se transformará em um grande pasto e/ou região de cultivo de soja transgênica.

Oposição ambientalista

Contra eles está a Bancada Ambientalista, capitaneada pelo Deputado Sarney Filho (PV-MA), que prega a política do “desenvolvimento sustentável”, em oposição à política ruralista de “se lixar” para o meio ambiente.

“Sarneyzinho”, como é conhecido, prefere que as áreas protegidas sejam exploradas economicamente de uma forma que os recursos naturais importantes sejam preservados.

Nossa posição

Para nós, essa sustentabilidade não existe e é impossível de ser aplicada na prática. Não dá para explorar economicamente uma área como a amazônia, por exemplo, sem comprometer os recursos ali existentes.

Desenvolvimento sustentável é mais ou menos como dizer que não tem problema nenhum seu filho fumar crack, desde que não faça mal.

Queremos que as áreas protegidas continuem protegidas.

Fonte: UOL Notícias

Nossas camas estão queimando

13/03/2009

 

Lá longe onde o rio quebra
A (madeira) “blodwood” e o carvalho do deserto
Suportando destroços e diesel borbulhando
Se evaporam a 45 graus
A hora chegou
Para dizer que o que é certo é certo
Para pagar o aluguel
Para pagar nossa parte
A hora chegou
O que é certo é certo
Ela Pertence a eles
Vamos devolvê-la
Como podemos dançar quando nossa terra está girando
Como podemos dormir enquanto nossas camas estão queimando
Como podemos dançar quando nossa terra está girando
Como podemos dormir enquanto nossas camas estão queimando
A hora chegou para dizer que o que é certo é certo
Para pagar o aluguel, para pagar nossa parte.

(tração) Quatro por quatro assusta os cockatoos
De Kinote Leste até Yuendemu
Os desertos do oeste vivem e respiram
A 45 graus

A hora chegou
Para dizer que o que é certo é certo
Para pagar o aluguel
Para pagar nossa parte
A hora chegou
O certo é o certo
Ela pertence a eles
Vamos devolvê-la

Como podemos dançar quando nossa terra está girando
Como podemos dormir enquanto nossas camas estão queimando
Como podemos dançar quando nossa terra está girando
Como podemos dormir enquanto nossas camas estão queimando

A hora chegou para dizer que o que é certo é certo
Para pagar o aluguel, para pagar nossa parte.
A hora chegou, o que é certo é certo.
Ela pertence a eles, vamos devolvê-la.

Como podemos dançar quando nossa terra está girando
Como podemos dormir enquanto nossas camas estão queimando

Como podemos dançar quando nossa terra está girando
Como podemos dormir enquanto nossas camas estão queimando