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Solidariedade a São Luiz do Paraitinga

04/01/2010

Cidade histórica e símbolo da luta ambiental é destruída por enchente na virada do ano.

São Luiz do Paraitinga é um dos lugares mais agradáveis para se estar. O alto-astral é contagiante, sempre tem uma festa, um conjunto musical ou um grupo de teatro se apresentando em praça pública durante o ano todo. Foi dali que surgiu o “Dia do Saci”, um resgate do folclore nacional diante da ameaça do “Dia das Bruxas”.

Foi a primeira cidade do país a ter esse “dia oficial” (31/10), por uma lei de autoria do então vereador Marcelo Toledo, nosso amigo e companheiro de longa data.

Nesse clima, tem um dos melhores e mais concorridos carnavais do Brasil, com seu inigualável concurso de marchinhas, que começa meses antes. Tudo de forma espontânea, nas ruas mesmo.

Fora isso, a população é extremamente organizada e mobilizada na luta ambiental e tem imposto derrotas memoráveis às empresas que exploram a monocultura do eucalipto no lado paulista do Vale do Paraíba.

Talvez por isso, por ter uma população valente e que não pensa de forma individualista, o desastre não foi maior.

Virada do ano

Nossos companheiros de AES, Clara, Gláucia, Denis e Paulo Gustavo, estavam lá.

Como sempre, a noite de ano novo estava ótima, apesar da chuva. Assim que terminou a missa na igreja matriz, começou a festa.

Assim estava a Praça Oswaldo Cruz logo após a meia-noite:

Pouco antes das 2:00 da manhã, a Clara, o Denis e a Gláucia foram embora e, na saída, registraram o início do que viria a ser, em poucas horas, uma tragédia sem precedentes. O Rio Paraitinga, que cruza a cidade, começava a vazar:

Naquele momento, não dava para imaginar o que viria depois:

Foto: TV Vanguarda

Foto: TV Vanguarda

Foto: TV Vanguarda

Foto: TV Vanguarda

Foto: Estadão

Foto: Estadão

A maioria dos prédios históricos, tombados pelo estado, incluindo a igreja matriz São Luiz de Tolosa, do século XIX, ruiu:

Salvamento solidário

A enchente fechou todos os acessos  e todos os sistemas de comunicação caíram. A Rodovia Oswaldo Cruz, que liga Ubatuba a Taubaté e é o único acesso a São Luiz do Paraitinga, foi interditada por causa de uma queda de barreira. A cidade então ficou ilhada e qualquer auxílio externo era impossível.

Graças à própria população e ao pessoal do “rafting”, que retirou os moradores com seus botes infláveis, a tragédia não foi maior. Os prejuízos materias já passam dos R$ 100 milhões e a destruição do patrimônio histórico é incalculável.

Até agora, há notícia de 10 mortos e um desaparecido. 

Relato

O Paulo Gustavo ficou na cidade com seus parentes e fez o seguinte relato, que também foi publicado no Blog do Luis Nassif:

O abandono de São Luiz do Paraitinga

Fui retirado de bote da casa do meu avô, na sexta-feira à tarde.

Minha tia voltou para ajudar o povo luizense. O corpo de bombeiros só chegou ontem às 9 horas da manhã, todo o resgate dos moradores foi feito pelas pessoas da cidade e usaram dos barcos de rafting para salvar as centenas de pessoas que ficaram presas nas casas.

Não houve nenhuma ajuda do Estado, caso a própria população não tivesse ajudado no salvamento das pessoas, São Luiz do Paraítinga teria centenas de mortos. Foi inacreditável a ausência do Estado na cidade. A população ajudou a tirar até os ônibus da companhia que liga taubaté, SLP e Ubatuba.

Os bombeiros fizeram papel de palhaço nesta história, neste momento, minha tia está na minha casa contando sobre a ausência dos bombeiros.

Parece que o rio já está baixando, vamos ver qual vai ser a posição do governo do estado em relação a reconstrução da cidade.

Em São Luiz, não há desabrigado pois todos tem familiares que moram na roça.

Houve também uma enchente em uma cidade vizinha chamada Natividade da Serra, parece que foi tão destruidora quanto SLP.

Causas desconhecidas

Outras localidades da região também foram afetadas. Além de Natividade da Serra, como citou o Paulo, a cidade de Cunha também foi vítima, sem falar no litoral norte de SP e sul do RJ, incluindo Paraty e Angra dos Reis.

Claro que a chuva forte e incessante causada pela “zona de baixa pressão” no Atlântico foi a grande responsável.

Mas, isso não justifica o tamanho da catástrofe em São Luiz do Paraitinga. O rio que cruza cidade subiu mais de 10 metros em poucas horas. Mesmo com chuva intensa, isso jamais ocorreu nessas proporções.

Fala-se no assoreamento do rio e nas represas próximas. Mas, por enquanto, é cedo para dizer o que, de fato, mais contribuiu para a tragédia. A gente espera saber a verdade em breve.

Solidariedade

A gente hipoteca nossa solidariedade e apoio aos nossos amigos e companheiros de São Luiz do Paraitinga, com a certeza que essa população corajosa vai vencer mais essa batalha.

E podem contar com a gente para o que for preciso.

Doações

No momento, a cidade precisa de praticamente tudo. Desde água e comida até roupas, cobertores e colchões.

Quem quiser contribuir deve levar sua doação a um dos seguintes postos de arrecadação:

Taubaté

- SESI – Av. Voluntário Benedito Sérgio, 170 (Estiva) – Tel.: (12)3633.4699 – De segunda a sexta-feira, até às 20:30;

- Plantão da delegacia da JK – Rua Juscelino Kubitschek de Oliveira, 260;

- Rua Marquês de Rabicó, 33 – Gurilândia

- Rua José Dantas, 266 – Parque Aeroporto;

- Rua Monsenhor Miguel Martins, 361 – Vila Marli;

- Rua Padre Maria Fialho, 135 – Jardim Maria Augusta;

- Batalhão da PM, na Av. Independência.

Moreira César

- 1ª Igreja Batista – Rua Salvador Piorino, 6 – Jardim Carlota – Tel.: (12)3637.2024 – Das 8:00 às 17:00.

São José dos Campos

- Comando de Policiamento do Interior I (CPI-I), da Polícia Militar.

Ubatuba

- Defesa Civil


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