Atos de protesto no estado de SP

14/11/2009 por acaoecosocialista

Sucateamento da estrutura de licenciamentos pelo governo poderá provocar uma barbárie ambiental. Estão programados protestos em todo o estado.

Segundo a legislação do país, os estados tem a competência para analisar e conceder a licença aos empreendimentos que podem causar impacto ambiental. 

Esse licenciamento deve ser concedido após a análise de cada caso, através de relatórios e estudos profundos. Dependendo do potencial de impacto, o órgão ambiental pode condicionar a licença a medidas de mitigação, ou até mesmo negar a implementação do empreendimento.

É um processo longo, que desagrada profundamente as empresas. 

Agilidade

Nos últimos anos, a política dos governos em geral é a de acelerar os processos de licencimento, para não atrasar as obras pretendidas. Ao invés de incrementar a estrutura, para melhorar a análise de cada caso, o que se fez foi fechar escritórios, demitir pessoal técnico e criar mecanismos legais para que a licença ambiental seja cada vez mais uma coisa só formal. Ou seja, o empreendedor apresenta o projeto, diz que não vai agredir o meio ambiente e, pronto,  licença concedida!

Protesto de entidades do CONSEMA

Quando o empreendimento é dos grandes, tem que passar pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente, vinculado ao governo e composto por pessoas do próprio governo e da sociedade civil, incluindo entidades ambientalistas.

Os representantes destas últimas, em protesto a tudo isso, retiraram-se da reunião do dia 20 de outubro e acabaram sendo suspensos arbitrariamente.

Flexibilização das leis

O ponto alto da política de sucateamento da estrutura ambiental veio, contudo, com a lei que extinguiu o DEPRN, órgão licenciador, passando toda a competência de licencimento para a CETESB, que já não tinha estrutura nem para medir a qualidade do ar poluído e agora vai ter que acumular mais essa função.

E, aproveitando, o governo ainda incluiu na lei artigos que permitem a licença para obras em Áreas de Preservação Permanente, as famosas “APP’s”, incluindo mananciais.

A proteção a essas áreas está no Código Florestal, uma lei federal de 1965. O que o governo fez foi mais ou menos como se editasse uma lei dispensando as empresas do estado de pagar férias e 13º aos seus funcionários. 

Do ponto de vista jurídico, foi uma estupidez e, considerando os aspectos ambientais, vai nos levar à barbárie. A propósito, veja a lei aqui. Repare no art. 2º, incisos II e III.

Programação de protestos

No próximo dia 17 de novembro, a partir da 9:00 da manhã, haverá atos de protesto na porta de todas as agências da CETESB espalhadas pelo estado.

Por aqui, será no “Parque da Cidade”, em São José dos Campos, em frente à própria CETESB e a Polícia Ambiental.

De preferência, vá de roupa preta. Mas vá! Caso contrário, nem urubu vai ficar para ver o fim da história.

A tinta verde do governo Lula

26/10/2009 por acaoecosocialista

Assim como um ex-operário na presidência da república implementou profundas reformas neoliberais e retirou direitos históricos dos trabalhadores, Marina Silva, com o nome associado a lutas ecológicas do passado, foi a responsável pelas maiores aberrações ambientais dos últimos tempos.

Senadora Marina Silva (PV-AC), ex-ministra do meio ambiente - Foto: UOL

Senadora Marina Silva (PV-AC), ex-ministra do meio ambiente - Foto: UOL

Lula assumiu o governo em 2003 em meio a um clima de esperança entre os trabalhadores, mas que, de saída, já mostrou a que veio. A partir da primeira reforma da previdência, deu para perceber que o programa neoliberal de FHC iria ser cada vez mais aprofundado.

Claro que todas as reformas eram anunciadas como algo benéfico aos trabalhadores. A expressão “flexibilização das leis trabalhistas”, que não tem outro significado senão “retirada de direitos”, foi colocada como uma coisa muito boa, pois iria atrair investimentos externos e, consequentemente, criar mais empregos. 

Lamentavelmente,  até hoje tem muita gente que ainda acredita nisso. Graças, principalmente, a figura do ex-operário no poder.

Além dos direitos trabalhistas, outro grande entrave à expansão do programa neoliberal no país era a legislação ambiental, criada basicamente na década de 80, em cima de critérios puramente técnicos e científicos.

Ruralistas nacionais e o agronegócio tentavam, há tempos, derrubar as leis que garantiam a manutenção e o livre acesso dos recursos naturais, para a expansão de seus negócios. 

Para isso, ninguém melhor no Ministério do Meio Ambiente que uma mulher de origem pobre que lutou com Chico Mendes, assassinado por agentes do capitalismo e, sobretudo, que soubesse dar uma aparência de “coisa boa” à flexibilização da legislação ambiental.

E foi exatamente essa a missão que cumpriu no ministério. Exemplos não faltam.

Transgênicos

Saiba mais aqui

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Publicamente, Marina Silva manifestava-se contra, mas, em poucos meses de governo, ajudou a editar e aprovar as medidas provisórias que liberaram os organismos geneticamente modificados no país.

Transgênicos são organismos que tem uma parte de seu DNA criada artificialmente. Assim, jamais existiriam, não fosse a ação humana. Os efeitos de sua presença no planeta são tão conhecidos quanto os de uma bactéria marciana, por exemplo. Ou seja, ninguém sabe o que pode acontecer.

Esse era justamente o embate que entidades de defesa do meio ambiente e do consumidor travavam na justiça há muitos anos, amparadas por uma liminar que impedia o uso de transgênicos por aqui. Até chegar Marina Silva e promover sua liberação.

O desenvolvimento da agricultura nacional e mesmo o fim da fome no mundo foram as maiores desculpas. 

Manejo florestal

Toda vez que a gente topar com a palavra “manejo” pela frente, devemos ter em mente que vão mexer em uma área protegida, que deveria permanecer intocada.

Essa é palavra bonita para dizer que será permitida a exploração econômica de recursos naturais de extrema importância, em áreas idem.

Foi assim com a Lei 11284/2006, assinada pela ex-ministra, que oficialmente “dispõe sobre a gestão de florestas públicas para a produção sustentável”, mas na prática libera a expansão capitalista em áreas fundamentais para o equilíbrio ecológico necessário à própria existência humana.

E as comunidades originárias desses locais, que deveriam ser mantidas e protegidas, justamente porque conservam os recursos de forma correta, são desalojadas e até dizimadas, para dar lugar aos novos exploradores.

Com o aval da então ministra e sob uma falsa “sustentabilidade”.

Águas 

O governo FHC editou a lei que cria o “Sistema Nacional de Recursos Hídricos”, dispondo que a água é um recurso natural “dotado de valor econômico”.

Com isso, a água passou a ser não mais aquele líquido necessário ao surgimento, desenvolvimento e manutenção da vida, mas uma mercadoria.

O mínimo que se poderia esperar de alguém comprometido com as lutas ambientais populares seria a revogação dessa aberração neoliberal. Mas, ao contrário, Marina Silva aprofundou a política de FHC e hoje, graças a uma complexa teia de regulamentos e planos de gestão criados sob seu comando, estamos a um passo da privatização da água potável no país.

Tudo em nome da “sustentabilidade”.

Além de possibilitar a entrega da água potável ao capital privado, ela ainda autorizou a elevação dos índices de poluição nas demais. 

Em março de 2008, o Conselho Nacional do Meio Ambiente, sob a presidência da então ministra, decidiu alterar uma de suas próprias Resoluções e permitir o lançamento na natureza de qualquer quantidade nitrogênio amoniacal, efluente tóxico de Estações de Tratamento de Esgoto – “ETE’s”.

A decisão teve por objetivo viabilizar a implantação de uma rede de ETE’s previstas no PAC, muitas delas em pequenos municípios, que não teriam condições de garantir os padrões de tolerância fixados anteriormente.

Licenciamentos

Na sua passagem pelo MMA, foram licenciadas as maiores, mais impactantes e mais inúteis obras da história nacional, com destaque para a transposição do Rio São Francisco, as hidrelétricas do Rio Madeira e a Usina Nuclear Angra 3, entre outras.

Todas elas também fazem parte do PAC do governo Lula e tem em comum, além da destruição de recursos naturais essenciais e da finalidade de servir exclusivamente ao avanço do capitalismo, o nome das construtoras envolvidas nas obras, por coincidência, as maiores financiadoras das campanhas do PT e seus aliados.

Cada uma dessas obras foi anunciada como benéfica ao meio ambiente, mas, mesmo assim, sofreram forte resistência popular.

No caso do Rio Madeira, até os próprios trabalhadores técnicos do Ibama não aceitaram a pressão do governo, na pessoa da ministra, e não aprovaram o licenciamento.

Foi daí que o órgão, que já tinha uma estrutura sucateada, foi dividido em dois, com a criação do “Instituto Chico Mendes”, com o objetivo de “acelerar a análise de licenças ambientais e outros projetos”. Em outras palavras, não atrapalhar o avanço do programa neoliberal.

Tudo com a assinatura da ministra Marina Silva.

Trabalhadores do IBAMA, em greve, protestam contra o licenciamento das hidrelétricas no Rio Madeira - Foto: Agência Estado

Trabalhadores do IBAMA, em greve, protestam contra o licenciamento das hidrelétricas no Rio Madeira - Foto: Agência Estado

Poderíamos citar uma série de exemplos, mas, em síntese essa foi a política ambiental que ela ajudou muito a implementar, consistente em concretizar os projetos mais estapafúrdios sob o ponto de vista ecológico, que não tem serventia alguma aos trabalhadores, beneficiando somente os ruralistas, o agronegócio e as grandes empresas transnacionais.

Todos esses projetos certamente não sairiam do papel se não tivessem uma fachada ecologicamente correta, ou seja, se não fossem pintados de verde.

E foi para isso que Marina Silva serviu. Seu passado de luta e seu discurso ecológico foram os pigmentos dessa tinta.

Créditos

08/10/2009 por acaoecosocialista

Como já deu para perceber, temos um novo cabeçalho.

Foi um presente do nosso companheiro Ricardo Malagoli, jornalista, de Belo Horizonte-MG, que fez todo o trabalho de concepção e arte.

Aproveitamos também para agradecer o ilustrador José Feitor, de Portugal, que nos cedeu a imagem do Karl Marx de bermudas, que ele fez para a revista “Combate“, também daquele país, e passou a ser o símbolo do nosso movimento. Só que, por aqui, virou uma espécie de mascote e hoje é conhecido como “Markinho da AES”…

E também não poderíamos deixar de prestar nosso profundo agradecimento ao companheiro e militante Marcelo Rezende, fotógrafo, de São José dos Campos-SP, que bolou e executou a faixa que a gente leva em todo lugar.

Valeu…!!

Recomendação de leitura

05/10/2009 por acaoecosocialista

Colaboração: Clara Cecília Arruda*

No dia 16 de setembro de 2009, ocorreu na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, o lançamento do livro: “Para entender os sindicatos no Brasil: Uma visão classista”, de Waldemar Rossi e William Jorge Gerab (sociólogo especializado em Gestão Ambiental), pela Editora Expressão Popular.

William Jorge Gerab (esq) e Waldemar Rossi (em pé)

William Jorge Gerab (esq) e Waldemar Rossi (em pé)

Esse foi o lançamento de um livro muito importante, trazendo um debate  profundo na consciência  da classe trabalhadora, sobre a historia da formação do sindicalismo no Brasil até os dias de hoje, dentro da ideologia da luta de classes, chocando com as mais variadas lutas sociais no país, dentre elas a defesa do meio ambiente, com um enfoque ecosocialismo.

Tudo com uma linguagem simples e didática, escrita com a autoridade de quem participou ativamente dessas lutas históricas.

Teve espaço para intervenções e perguntas, depois autógrafos e um breve bate papo! 

A pergunta que eu fiz foi mais ou menos assim: “Para a juventude que não vivenciou essas lutas históricas  da classe trabalhadora, o Ecosocialismo é a resposta para organizá-la na luta de classes??”.

O William respondeu que sim e ainda deu uma aula de Ecosocialismo!!

Foi muito bom ter ido, participado, conhecido pessoalmente os autores.

E recomendo a leitura!

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*Clara Cecília Arruda é estudante, militante da Ação Eco Socialista e nossa delegada permanante na Conlutas

O Rio São Francisco está morrendo! E você?

03/10/2009 por acaoecosocialista

Colaboração: Fernanda Oliveira*

Denúncia:

Estamos em Três Marias às margens do rio São Francisco protestanto contra a empresa Votorantim Metais, que desde a década de 60 vem cometendo vários crimes ambientais e sociais na região.

Nesta manhã, 02/10/2009, às 6 horas, centenas de manifestantes fecharam a BR040 e bloquearam a porta da fábrica, reivindicando melhores sálarios e o fim dos crimes ambientais que há anos vem prejudicando a saúde do Velho Chico e a de milhares de pescadores que do rio sobrevivem.

Neste exato momento a Polícia Militar está na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de Três Marias tentando prender alguns companheiros. Essa postura é mais uma prova da relação que empresa/estado tem com trabalhadores, pescadores, Sem Terras e estudantes, que em uma manifestação pacífica tentam lutar por seus direitos.

Ajude a divulgar o nefasto papel que a empresa Votorantim Metais vem cometendo em Três Marias!

Carta aberta

Somos pescadores(as), vazanteiros(as) trabalhadores(as) sem terra, operários(as) e estudantes. Por ocasião do Dia e da Semana do Rio São Francisco, vimos de vários municípios de sua Bacia manifestar a nossa indignação e a nossa revolta diante da  VM – Votorantim Metais, em Três Marias – MG.

1. Essa empresa é a principal responsável pela poluição do Rio São Francisco com metais pesados.  Desde final de 2004, já morreram 200 toneladas de peixes, principalmente surubins adultos, contaminados por rejeitos tóxicos lançados pelo processamento de zinco da Votorantim Metais. Os pescadores(as) e as populações ribeirinhas tem sido os maiores prejudicados por essa tragédia, mas também a sociedade em geral e o meio ambiente. 

Relatórios e análises químicas de órgãos ambientais mostram que água, sedimentos e peixes apresentam índices alarmantes de contaminação por metais pesados, muitas vezes acima dos permitidos pelo CONAMA – Conselho Nacional de Meio-Ambiente: zinco – 5.280 vezes; cádmio – 1140; cobre – 32; chumbo – 42.

A VM começou a operar em 1969 e por 14 anos lançou seus rejeitos diretamente no rio. Somente em 1983 foi construída uma barragem de contenção de rejeitos. Mas, para facilitar a vida da empresa, a barragem foi construída na barranca do rio! Os metais pesados, através da infiltração, continuaram a se acumular no leito do rio. Hoje existe no fundo do rio  um metro e meio de lama tóxica. Quando as comportas da barragem de Três Marias são abertas essa lama é revolvida contaminando ainda mais a água e os peixes.

A poluição industrial da VM sempre esteve no cerne da contaminação das águas do Rio São Francisco. Por isso, os órgãos ambientais – os que não se vendem – exigiram a desativação da primeira barragem. Uma segunda foi construída pela empresa, mas de forma irregular, desrespeitando normas técnicas exigidas pelos órgãos ambientais . Continuou ocorrendo  infiltração e a segunda barragem também foi reprovada. Em 2005, a empresa comprometeu- se em construir uma terceira barragem e cumprir mais 25 Termos de Ajustes de Conduta. A poluição continua, e não se tem informação sobre o cumprimento dos termos.

2. Estamos aqui também protestando contra a transposição do Rio São Francisco. A obra,  em construção pelo Exército, é apresentada pelo Governo Lula como solução para os problemas de falta d’água na região  semi-árida. Grande mentira! A transposição atende aos interesses de grandes empresas construtoras, como a VM, e do agronegócio da irrigação para exportar frutas, etanol de cana, camarão, etc. As necessidades do povo são apenas discursos para legitimar o projeto e convencer o povo a pagar depois a conta da água, das mais caras do mundo. Não à Transposição. Conviver com o Semi-Árido é a Solução! 

3. Nossa luta é também por Soberania Alimentar. Nesta primeira semana de outubro, no mundo inteiro, há  mobilizações em defesa da produção dos alimentos pelas comunidades locais,  contra as empresas transnacionais do agronegócio produtor de  alimentos em monoculturas, com agrotóxicos e adubos industrializados,  transformando  a comida em mercadoria, contribuindo para o aumento da fome no mundo.

4. Denunciamos a CEMIG, pela abertura das comportas da usina de Três Marias para possibilitar os passeios turísticos do barco a vapor Bejamim Guimarães, e em época de outros eventos para camuflar a realidade do rio poluído, degradado e minguante.  Com a súbita liberação das águas, muitas  plantações dos vazanteiros são destruídas, a consequência é mais fome.

Exigimos das autoridades responsáveis soluções definitivas destes graves problemas. Da Votorantim Metais cobramos o cumprimento dos acordos por ela firmados, principalmente a retirada da lama tóxica do fundo do rio e a indenização aos pescadores!

São Francisco Vivo – Terra, Água, Rio e Povo!

Por Reforma Agrária, Justiça Social e Soberania Alimentar e Energética!

Água e Energia Não São Mercadoria! 

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* Fernanda Oliveira é geógrafa e militante do “Movimento pelas Serras e Água de Minas” e da “Articulação Popular do São Francisco”

Dia mundial sem carro

30/09/2009 por acaoecosocialista

Apesar das boas intenções dos participantes, a ação inverte a responsabilidade pela poluição atmosférica e o aquecimento global

Trata-se, na origem, de um protesto contra a “dominação do automóvel” e uma forma de conscientização para os problemas ambientais causados pelo seu uso exagerado. Consiste em você deixar seu carro em casa e usar outro meio de transporte, de preferência um não poluente, como a bicicleta, ou andar a pé mesmo.

O movimento é mundial e o dia escolhido é 22 de setembro.

Se a gente pensar um pouco, a coisa perde o sentido.

É que, durante o ano inteiro, tudo leva as pessoas a comprarem carro. O transporte público está cada vez pior e mais caro. Uma passagem de ônibus custa, por exemplo, na cidade de São José dos Campos, R$ 2,50. Um litro de gasolina, R$ 2,40 em média. Para uma família de quatro pessoas, sai mais barato gastar o litro de gasolina para ir e voltar para casa do que as passagens de ônibus.

Então, é melhor, mais rápido e mais barato ter carro, nem que seja um Chevettinho 78 básico, com uma porta amarrada com arame.

Além desse proposital sucateamento do transporte público, temos também a propaganda pesada. A mensagem fica passando tempo todo: compre carro compre carro compre carro compre carro compre carro compre carro compre carro compre carro e compre carro. Não tem dinheiro? Financia… Mas compre carro compre carro compre carro e compre carro.

E governos dão bilhões a montadoras, para que mais carros sejam produzidos e a gente seja obrigado a comprá-los.

E depois que você compra o diabo do carro vem alguém e diz: “Não use carro!”. E põe a culpa em você pelo ar poluído e pelo aquecimento global. 

Isso é uma coisa hipócrita. Por a culpa na vítima. É o mesmo que acontece em alguns países islâmicos quando uma mulher é estuprada. Ela é que vai presa, por ter provocado o desejo no estuprador.

Portanto, nosso protesto é para que o transporte público seja eficiente, barato e utilize energia renovável. É possível. E para que parem de fabricar mais carros do que o mundo precisa. Só para começar.

Nós não precisamos tanto assim de carro . O sistema precisa.

Expansão Imobiliária em São José dos Campos

24/07/2009 por acaoecosocialista

Colaboração: Susana Beatriz Arruda*

O fenômeno não é exclusivo dessa cidade e, onde quer que ocorra, sempre deixa sem respostas satisfatórias as dúvidas sobre a qualidade de vida da população.

Horizonte em São José dos Campos

Horizonte em São José dos Campos

O que o crescimento desenfreado e a expansão imobiliária nos trarão no futuro?

Nós perguntamos… Se moramos entre duas serras, a Serra da Mantiqueira e a Serra do Mar… Se moramos em um vale (o do Paraíba)… Por que é que a prefeitura está permitindo a construção de tantos prédios?

Se, de acordo com estudos ambientais divulgados por professores do CEPHAS, não poderiam ter sido construídos nem mesmo os prédios da atual Avenida Andrômeda, como é que a zona oeste da cidade está se “desenvolvendo” tão rapidamente?

Qual o futuro de São josé dos Campos, sabendo que vivemos um momento de crise econômica, a qual se deu exatamente com a quebra do setor imobiliário dos EUA, que por sua vez desencadeou a falência de vários bancos no segundo semestre de 2008 e, por consequência, fez com que a busca da manutenção das taxas de lucros provocassem ainda uma maior exploração da classe trabalhadora?

Horizonte em São José dos Campos II

Horizonte em São José dos Campos II

Quais as consequências ambientais e sociais de um crescimento desenfreado e sem maiores estudos em uma cidade onde, a cada dia que passa, mais e mais trabalhadores perdem seus empregos?

É simples e previsível. Por exemplo, qualquer pessoa que vai até o Jardim das Colinas sente um fedor de esgoto exatamente como o do Rio Tietê, em São Paulo.

Entre outros efeitos, isso acontece porque a prefeitura não planejou quantos litros de água e quantos kw de energia a cidade passará a consumir.

Quanto de esgoto será produzido por dia?

E durante o período de chuvas no Vale, para onde será mandado todo o lixo?

Como não temer inundações e mais degradações em uma cidade que sofre com desemprego, falta de moradia e falta de estudos ambientais?

Como pode um trabalhador ser responsabilizado pela contaminação do lençol freático se a prefeitura não está utilizando o dinheiro dos impostos para as melhorias necessárias?

São José dos Campos - Condomínio Sunset Park - Jd. Aquárius - Reparem na distância entre as casas e a largura das ruas: Péssimo projeto urbanístico

São José dos Campos - Condomínio Sunset Park - Jd. Aquárius - Reparem na distância entre as casas e a largura das ruas: Péssimo projeto urbanístico

São José dos Campos - Ocupação do Pinheirinho - Reparem na distância entre as casas e a largura das ruas: Excelente projeto urbanístico

São José dos Campos - Ocupação do Pinheirinho - Reparem na distância entre as casas e a largura das ruas: Excelente projeto urbanístico

Como, diante de tantas falhas, a população sofrerá com o desequilíbrio ambiental instalado na região?

Qual é a alternativa para a cidade e para o Vale do Paraíba?

Como será atingido o corredor ecológico entre o Vale, o Banhado e o distrito de São Francisco Xavier?

Até onde isso vai dar?

Teremos que esperar para ver as consequências ou isso pode ser mudado agora?

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*Susana Beatriz Arruda é moradora de São José dos Campos-SP, estudante, teleoperadora de call center e militante da Ação Eco Socialista.

Maracutaia básica atrasa Angra 3

24/07/2009 por acaoecosocialista

Apesar de todas as denúncias sobre os graves impactos ambientais e sociais, as obras da nova central nuclear podem atrasar por causa de superfaturamento.

O licenciamento ambiental, que deveria ser um entrave à construção da usina, até que saiu fácil, conforme já noticiamos aqui.

Mas, em lugar do Ibama, quem está atrasando o projeto mais ambicioso do governo Lula é o TCU – Tribunal de Contas da União, que detectou um sobrepreço de R$ 227 milhões e outras irregularidades graves no contrato fechado entre a Eletronuclear e a Construtora Andrade Gutierrez, o que pode implicar em uma nova licitação…

O governo quer, de um jeito ou de outro, colocar Angra 3 em funcionamento no início de 2.014, talvez pretendendo utilizar a energia nuclear para iluminar os  estádios que serão construídos para a Copa do Mundo.

Já que o assunto é maracutaia, TCU e superfaturamento, a Copa não pode ficar de fora.

Foto e arte: Folha de S. Paulo

Foto e arte: Folha de S. Paulo

Nós e as jararacas no Pinheirinho

12/07/2009 por acaoecosocialista

Companheiros da AES estiveram na Assembléia dos Moradores da Ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, no último dia 4 de julho.

O convite partiu dos próprios moradores, que queriam saber mais sobre “APP’s”, ou Áreas de Preservação Permanente, aquelas protegidas pelo Código Florestal.

Platéia atenta à fala da Tia Lourdes, moradora

Platéia atenta à fala da Tia Lourdes, moradora

Lá no Pinheirinho, as principais APP’s são as beiras de rio, as nascentes e as encostas.

Tudo começou quando um babaca qualquer disse no jornal que os moradores tinham que ser expulsos  dali, porque estavam “degradando o meio ambiente”.

Pois o pessoal queria saber não só como desementir o babaca, mas, principalmente, como fazer para proteger ainda mais essas áreas importantes.

Também ficaram ligados nas explicações do Denis (AES)

Também ficaram ligados nas explicações do Denis (AES)

Depois das explicações, ficou decidido que a gente vai voltar lá e, junto com um grupo de voluntários – moradores e quem mais quiser – vamos localizar, mapear essas áreas no terreno da Ocupação e já adotar os métodos de proteção.

Então, quem se interessar, pode deixar uma mensagem aqui, que a gente entra em contato.

Cobras presentes

Apesar de termos sido calorosamente recebidos, os moradores ficaram um pouco constragidos ao contar que haviam matado duas jararacas lá, antes da assembléia.

Eles pensavam que a gente ia achar ruim ou reprovar a atitude deles.

Nada disso.

Desequilíbrio ambiental instalado

jararaca igual as que apareceram no Pinheirinho

jararaca igual as que apareceram no Pinheirinho

Claro que a gente não prega a matança de nenhuma espécie. No entanto, as cobras estavam ali, uma zona urbana densamente povoada, justamente porque seu habitat foi destruído. Por causa dos frequentes desmatamentos ao redor, para a implantação de loteamentos e condomínios, muitas espécies perdem as fontes de alimento, abrigo e local para reprodução. Logo, tem que partir à procura de outro local e acabam topando na zona urbana.

parte da comitiva da AES: (da esq. p/ dir) Clara, Jéssica, Susana, Angélica e Douglas (atrás: Denis Dias e Éverton)

parte da comitiva da AES: (da esq. p/ dir) Clara, Jéssica, Susana, Angélica e Douglas (atrás: Denis Dias e Éverton)

Isso não acontece só no Pinheirinho. Ainda em São José dos Campos, no bairro Urbanova, por exemplo, é comum a gente encontrar cobras pelas ruas e calçadas. Pelo mesmo motivo.

Em São Paulo, há alguns anos, foi registrado acidente com cobra no canteiro central de uma grande avenida, também por causa de desmatamentos próximos.

Então, o que a gente defende é a manutenção do habitat, para que essas e outras espécies permaneçam neles.

Mas, no caso das jararacas do Pinheirinho, o desequilíbrio ecológico já estava instalado. Aí nada mais resta a fazer para evitar um acidente grave, especialmente com crianças.

Nessas condições, a gente entende que, infelizmente, tem que matar a cobra.

Mas não é necessário mostrar o pau.

Valdir "Marrom" (esq), da coordenação do Pinheirinho, e Denis (AES)

Valdir "Marrom" (esq), da coordenação do Pinheirinho, e Denis (AES)

Greenpeace faz protesto bobinho

09/07/2009 por acaoecosocialista

Foi no último dia 7 de julho, em Paris, durante a entrega do prêmio “Félix Houphoët-Boigny pela Busca da Paz” a Lula.

Militantes da combativa ONG internacional, no momento da entrega da premiação ao presidente brasileiro, subiram ao palco da sede da Unesco, local da cerimônia, empunhando bandeiras com os dizeres “Lula – Salve a Amazônia, Salve o Clima”.

Como assim? Só Isso?

Na semana anterior, Lula havia sancionado, com poucos e insignificantes vetos, a “MP da Grilagem“, que praticamente entrega 72% da Amazônia aos latifundiários, e o que os caras fazem é isso? Empunhar bandeiras?

Bom, se fosse a gente, o protesto seria mais ou menos assim:

Clique na bandeira
Burn the Brazil Flag!